Bahia sobe para a 3ª posição nacional em desmatamento, aponta Relatório Anual do MapBiomas
Estado perdeu mais de 110 mil hectares de vegetação nativa em 2025; Jaborandi e São Desidério entram na lista das dez cidades que mais desmataram no país
A Bahia foi o terceiro estado com maior área de vegetação nativa desmatada no país em 2025, segundo dados do Relatório Anual do Desmatamento (RAD 2025), divulgado pelo MapBiomas. O território baiano registrou a supressão de 110.616 hectares ao longo do ano passado.
Apesar do volume, o estado apresentou uma redução de 17% na área desmatada em comparação com os indicadores de 2024. Contudo, a diminuição em ritmo inferior à de outras unidades da federação fez com que a Bahia subisse no ranking nacional, passando da quinta para a terceira posição.
O relatório apontou que os municípios de Jaborandi e São Desidério, ambos localizados na região oeste da Bahia, figuraram entre as dez cidades brasileiras que registraram as maiores extensões de áreas desmatadas em 2025.
O desempenho dos municípios baianos está inserido no contexto da fronteira agrícola do Matopiba (região que abrange o Maranhão, Tocantins, Piauí e a Bahia). De acordo com a rede multi-institucional, a região — que tem forte predominância do bioma Cerrado — concentrou 40% de toda a perda de vegetação nativa mapeada no Brasil e respondeu por 70% do desmatamento registrado especificamente no Cerrado.
No panorama federal, o desmatamento no Brasil registrou uma queda de 20,6% em 2025 na comparação com o ano anterior, totalizando 984.794 hectares consolidados. Esta foi a primeira vez, desde o início da série histórica do sistema MapBiomas Alerta em 2019, que o índice nacional anual ficou abaixo da marca de um milhão de hectares perdidos.
O relatório do MapBiomas compila, valida e refina alertas de desmatamento gerados por diferentes plataformas de monitoramento via satélite de alta resolução. O trabalho cruza as detecções com dados públicos fornecidos por órgãos oficiais, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), servindo como base técnica para as ações de fiscalização ambiental.







