Dr. Armênio critica “profissionalização” da política e defende retomada da identidade política de Conquista
O médico oftalmologista Armênio Souza Santos, ex-secretário municipal de Saúde de Vitória da Conquista e um dos nomes históricos da política e da saúde pública no município, afirmou que a política brasileira perdeu, ao longo das últimas décadas, o caráter de serviço público e passou a ser dominada por interesses financeiros e partidários.
Em entrevista ao programa UP Notícias, Dr. Armênio comparou o cenário político atual com o período do bipartidarismo, quando existiam apenas Arena e MDB, e avaliou que, apesar das limitações da época, havia mais compromisso social por parte das lideranças políticas.
“Antigamente as pessoas tinham o dom de servir. Política era sensibilidade. Hoje virou profissão. Hoje tem partido demais e ações sociais de menos”, declarou.
Especialista em Oftalmologia pela Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública, com registro de qualificação profissional na área, Dr. Armênio também ficou conhecido pela atuação na gestão pública de Vitória da Conquista durante a década de 1980. À frente da Secretaria Municipal de Saúde, participou da criação do programa pioneiro de Agentes Comunitários de Saúde e implantou projetos voltados à prevenção e à atenção básica.
Durante a entrevista, ele relembrou ações desenvolvidas na época, como campanhas de combate à cólera e tuberculose, melhorias em saneamento básico, implantação do uso de copos descartáveis em unidades de saúde e programas de prevenção da cegueira nas escolas.
“Em 1983, nós criamos a primeira carteira de prevenção da cegueira e capacitávamos professores para identificar problemas visuais nos alunos. Saúde pública se faz com prevenção. Cara é a doença”, afirmou.
Dr. Armênio também criticou o atual sistema multipartidário brasileiro e o fortalecimento do chamado “poder econômico” dentro da política, especialmente através do fundo partidário e das emendas parlamentares.
“O pluripartidarismo diluiu o poder político da população. Hoje tudo gira em torno do fundo partidário e das emendas. A propaganda prevalece sobre a realidade”, disse.
Ao abordar a política regional, o ex-secretário afirmou que Vitória da Conquista perdeu força política nas últimas décadas e deixou de protagonizar debates estratégicos para o desenvolvimento regional. Segundo ele, a falta de unidade política teria contribuído para a perda de projetos importantes de infraestrutura.
Entre os exemplos citados, Dr. Armênio mencionou a Ferrovia Oeste-Leste e defendeu que o traçado deveria contemplar Vitória da Conquista. Para ele, a ausência de lideranças políticas fortes enfraqueceu o município diante de outras cidades do interior baiano.
“Conquista precisa voltar a criar personalidade política. Antigamente nossos líderes tinham posição firme para defender a comunidade. Hoje isso se diluiu”, declarou.
Durante a conversa, ele também relembrou nomes históricos da política conquistense, como Raul Ferraz, Pedral Sampaio, Margarida Oliveira, Leônidas Cardoso, entre outros nomes, destacando que, apesar das divergências ideológicas, havia, segundo ele, maior compromisso coletivo com o município.
Ao final da entrevista, Dr. Armênio afirmou acreditar que Vitória da Conquista ainda pode recuperar protagonismo político e voltar a liderar discussões sobre políticas públicas na Bahia.
“A comunidade identifica quem tem vocação política. Política é sensibilidade, e sensibilidade é um dom”, concluiu.







