Governo brasileiro busca acordo tarifário com os Estados Unidos para evitar taxação de 25% sobre exportações

Representantes comerciais fixam prazo até 15 de julho de 2026 para a definição dos termos das negociações bilaterais

Foto: Alan Santos/PR
  • Ane Xavier
  • Atualizado: 08/06/2026, 10:49h

O governo brasileiro iniciou um processo de negociação direta com os Estados Unidos para estabelecer um acordo tarifário e evitar a aplicação de uma alíquota adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras enviadas ao mercado norte-americano. A medida decorre de uma recomendação emitida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) após a publicação de um relatório técnico da agência governamental. Os representantes de ambos os países trabalham com o prazo limite até o dia 15 de julho de 2026 para a conclusão das tratativas.

A manifestação do órgão norte-americano baseia-se em uma investigação estruturada com fundamento na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O documento emitido por Washington argumenta que o Brasil adota práticas comerciais desleais e cita o funcionamento do sistema de pagamentos Pix como um elemento que desfavorece empresas de pagamento sediadas em território estadunidense. Em contrapartida, o governo brasileiro declarou formalmente que os argumentos apresentados não são legítimos, classificou a recomendação como uma medida de protecionismo unilateral e pontuou que a plataforma Pix não integrará o escopo das negociações.

A definição do novo prazo até o mês de julho estendeu o limite anterior estabelecido para as conversas bilaterais. O cronograma prévio, estipulado em reunião realizada entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump no mês passado, previa o encerramento das discussões no domingo, dia 7 de junho de 2026. Para fundamentar a contestação técnica contra as taxas propostas, a equipe econômica brasileira utiliza os dados do superávit comercial mantido pelos Estados Unidos com o mercado nacional e a média tarifária de 2,7% aplicada pelo Brasil sobre os produtos de origem norte-americana.

As tratativas comerciais bilaterais ocorrem de forma simultânea a outras discussões tarifárias globais monitoradas por Washington e ao contexto de conflito no Oriente Médio envolvendo os governos dos Estados Unidos e do Irã. O planejamento das agendas diplomáticas prevê a participação dos presidentes de ambos os países na cúpula do G7, na França, agendada para o período entre os dias 15 e 17 de junho de 2026. Contudo, as assessorias oficiais informaram que não há confirmação de reunião bilateral reservada entre os dois mandatários até o momento.

Os negociadores brasileiros informaram que o escopo defendido pelo país restringe-se especificamente aos temas tarifários e comerciais, sem a inclusão de outras demandas externas assinaladas pelos representantes norte-americanos, como o acesso ao mercado de terras raras. Paralelamente à sobretaxa sob análise de 25%, o setor exportador brasileiro enfrenta a incidência de uma taxação adicional de 10% a 12,5%, instituída por Washington sob a justificativa de combate global ao trabalho análogo à escravidão, medida que abrange o Brasil e outras 59 nações, a exemplo de Japão, Canadá, Índia, integrantes da União Europeia e a Argentina.

Como desdobramento das tratativas vigentes, os setores técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE) informaram que mantêm o acompanhamento diário das discussões. Os órgãos monitoram o andamento dos fluxos de comércio exterior para emitir novos pareceres analíticos e subsidiar a delegação de diplomatas até o encerramento do cronograma oficial fixado pelo USTR para o mês de julho.

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