Operação Sintonia de Gravata cumpre mandados de prisão contra advogados e detentos na Bahia

Ação do Ministério Público e da Secretaria de Segurança Pública investiga esquema de comunicação clandestina dentro de unidades prisionais do estado

Foto: Ascom MP-BA
  • Ane Xavier
  • Atualizado: 03/07/2026, 09:37h

Oito advogados foram presos na manhã desta sexta-feira (3) durante a Operação Sintonia de Gravata, deflagrada em Salvador, na Região Metropolitana e em municípios do interior da Bahia. A ação penal investiga um esquema de comunicação que teria permitido a integrantes de facções criminosas continuar o comando de atividades ilícitas de dentro do sistema prisional baiano.

De acordo com o Ministério Público da Bahia (MP-BA), os mandados de prisão e de busca e apreensão foram cumpridos nas cidades de Salvador, Serrinha e Feira de Santana. Além das prisões dos profissionais da advocacia, outras 12 ordens judiciais foram executadas contra detentos que já cumprem pena custodiados em unidades prisionais do estado. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) atuou em conjunto com o MP-BA no planejamento e suporte operacional das diligências.

O Ministério Público informou que os elementos reunidos apontam que os investigados mantinham uma rede de transmissão de ordens entre internos e membros em liberdade. Segundo o órgão estadual, o fluxo de comunicação permitia a participação de lideranças detidas na gestão do tráfico de entorpecentes, na aquisição e circulação de armas de fogo, na movimentação de recursos financeiros e na resolução de conflitos internos das organizações.

Em nota oficial sobre o andamento dos trabalhos, o MP-BA declarou: “As investigações identificaram a atuação de facções criminosas estruturadas e com atuação regional, responsáveis pela prática de tráfico ilícito de entorpecentes, circulação de armas de fogo e articulação entre grupos criminosos, com reflexos diretos na segurança pública baiana”. O órgão apontou que os advogados teriam burlado o isolamento e a incomunicabilidade impostos em presídios de segurança máxima.

As investigações também indicaram que o grupo conseguiu contornar os mecanismos de isolamento previstos no sistema prisional. A acusação afirma que os profissionais exerciam papel na transmissão de mensagens e na consolidação de decisões das facções. Os nomes dos detentos e dos advogados alvos das ordens judiciais não foram divulgados pelas instituições responsáveis devido às restrições legais de sigilo processual.

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