Hepatites: doença silenciosa exige prevenção e diagnóstico precoce
As hepatites virais continuam sendo uma ameaça silenciosa à saúde pública e exigem atenção da população. Em muitos casos, a doença evolui sem apresentar sintomas por anos, permitindo que o vírus provoque danos progressivos ao fígado antes mesmo de ser descoberto. Especialistas alertam que o diagnóstico precoce e a vacinação contra as hepatites A e B são as principais estratégias para evitar complicações graves e reduzir a transmissão.
O alerta ganha ainda mais importância às vésperas do Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, celebrado em 28 de julho. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou mais de 826 mil casos confirmados entre 2000 e 2024. A hepatite C lidera as notificações, seguida pelos tipos B e A. Já as hepatites D e E representam uma pequena parcela dos registros no país.
Na Bahia, os números também preocupam. O estado lidera o Nordeste em casos de hepatite C, com quase 10 mil notificações e mais de 2,3 mil mortes. A hepatite B, entretanto, é a mais frequente entre os baianos, enquanto a hepatite A também apresenta elevada incidência.
O infectologista Claudilson Bastos destaca que muitas pessoas só descobrem a doença quando o fígado já apresenta comprometimento significativo. "As hepatites B, C e D podem permanecer silenciosas por muito tempo. Por isso, realizar exames quando houver indicação médica e manter a vacinação em dia são medidas fundamentais", explica.
As vacinas contra as hepatites A e B estão disponíveis gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), além da rede privada. A imunização protege contra formas graves da doença e reduz a circulação dos vírus na população, contribuindo para diminuir novos casos.
Além da vacinação, alguns cuidados simples ajudam a prevenir a infecção. Para evitar a hepatite A, é essencial lavar bem as mãos, higienizar os alimentos, consumir água filtrada ou fervida e manter práticas sexuais seguras. Já as hepatites B e C exigem atenção ao uso de preservativos e à não utilização compartilhada de objetos que possam entrar em contato com sangue, como lâminas de barbear, alicates de manicure, seringas e agulhas. Em procedimentos como tatuagens e colocação de piercings, é importante verificar se os materiais são descartáveis ou esterilizados corretamente.
O especialista também faz um alerta aos usuários da Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP). Segundo ele, ainda é comum a falsa percepção de que o medicamento protege contra todas as infecções sexualmente transmissíveis. "A PrEP previne apenas o HIV. O uso do preservativo continua sendo indispensável para reduzir o risco de hepatite B e também das hepatites A e C transmitidas por contato sexual", ressalta.
Embora muitas pessoas não apresentem sintomas, alguns sinais podem indicar a presença da doença, como cansaço persistente, náuseas, vômitos, febre, dor abdominal, diarreia ou prisão de ventre, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes esbranquiçadas. Ao perceber qualquer um desses sintomas, a orientação é procurar atendimento médico.
O diagnóstico é feito principalmente por exames de sangue, que identificam a presença do vírus e indicam se a infecção está ativa. O tratamento varia conforme o tipo de hepatite. Enquanto a hepatite A costuma desaparecer espontaneamente com acompanhamento médico, repouso e hidratação, as hepatites B e D podem exigir acompanhamento prolongado e uso de medicamentos antivirais. Já a hepatite C conta atualmente com tratamentos modernos que conseguem eliminar o vírus na maioria dos pacientes, reduzindo significativamente o risco de cirrose e câncer de fígado.
Para os especialistas, informação, vacinação e diagnóstico precoce formam a combinação mais eficaz para impedir que uma doença muitas vezes silenciosa se transforme em um problema grave e irreversível para a saúde.



