Trabalho por aplicativo já reúne cerca de 2 milhões de brasileiros, aponta IBGE

Foto: Getty Images
  • Júnior Patente
  • Atualizado: 09/09/2026, 10:39h

O trabalho mediado por aplicativos já faz parte da realidade de aproximadamente 2 milhões de brasileiros, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes a 2025.

O contingente corresponde a 1,9% das 102,4 milhões de pessoas ocupadas no país. A maior parte desses trabalhadores, cerca de 1,8 milhão, utilizava plataformas digitais como atividade principal. Outros 182 mil recorriam aos aplicativos como uma ocupação secundária.

O levantamento mostra ainda que o número de trabalhadores que tinham os aplicativos como principal atividade cresceu de forma significativa nos últimos anos. Em 2022, eram aproximadamente 1,3 milhão. Em 2025, o total chegou a 1,8 milhão, uma alta de 36,8% no período. Em relação a 2024, quando havia 1,7 milhão, o crescimento foi de 9,1%.

Transporte concentra a maior parcela

O transporte de passageiros é a principal atividade entre os trabalhadores plataformizados. Cerca de 1,2 milhão de pessoas utilizavam aplicativos nesse segmento, o equivalente a 58,9% do total.

Desse grupo, 232 mil trabalhavam com aplicativos específicos para serviços de táxi, enquanto 1,1 milhão utilizavam outras plataformas de transporte de passageiros.

Os entregadores somavam 376 mil trabalhadores. Outros 313 mil utilizavam aplicativos voltados à prestação de serviços gerais ou profissionais.

Jornada maior e rendimento por hora menor

Os dados do IBGE também chamam atenção para a jornada de trabalho. Em média, os trabalhadores que utilizavam plataformas digitais trabalhavam 44,7 horas por semana. Entre os demais trabalhadores do setor privado, a média era de 39,3 horas.

Apesar da jornada mais extensa, o rendimento por hora era menor entre os trabalhadores de aplicativos: R$ 16,20, contra R$ 18,40 entre os trabalhadores que não utilizavam essas plataformas. A diferença chega a aproximadamente 12%.

No rendimento mensal, porém, os valores eram semelhantes: R$ 3.147 para os plataformizados e R$ 3.148 para os demais trabalhadores.

Homens são maioria

O perfil dos trabalhadores também apresenta uma forte predominância masculina. Em 2025, 84,4% dos trabalhadores por aplicativo eram homens, enquanto as mulheres representavam 15,6%.

Quase metade dos trabalhadores, 47%, tinha entre 25 e 39 anos.

Entre os principais motivos apontados para trabalhar por meio de aplicativos estão a dificuldade de encontrar outra ocupação, a possibilidade de maior flexibilidade na jornada e a expectativa de obter rendimento superior ao de outras alternativas disponíveis.

Previdência é um dos principais desafios

A proteção previdenciária aparece como um dos pontos de maior atenção no levantamento.

Entre os condutores de automóveis que trabalhavam por meio de plataformas, apenas 25,5% estavam cobertos pela Previdência Social. Entre trabalhadores de outros setores privados, esse percentual chegava a 59,2%.

Entre os motociclistas que tinham o trabalho por aplicativo como ocupação principal, o IBGE identificou 405 mil pessoas. O estudo aponta que menos de um quinto desse grupo contribuía para a Previdência.

O cenário revela um dos principais desafios associados à expansão do trabalho por plataformas: a geração de renda ocorre em um ambiente no qual uma parcela expressiva dos trabalhadores permanece sem a mesma proteção previdenciária encontrada em outras formas de ocupação.

Aplicativos também mudam a forma de vender

O fenômeno não se limita aos motoristas e entregadores.

Em 2025, aproximadamente 210 mil trabalhadores por conta própria ou empregadores do comércio utilizaram plataformas de comércio eletrônico para encontrar clientes e vender produtos. As mulheres representavam 51,8% desse grupo.

Quase um terço desses comerciantes realizava suas vendas exclusivamente por meio das plataformas digitais.

Os números mostram como os aplicativos passaram a ocupar espaço relevante no mercado de trabalho brasileiro. Ao mesmo tempo em que ampliam possibilidades de geração de renda e oferecem flexibilidade, os dados do IBGE apontam desafios relacionados à jornada, ao rendimento por hora e à proteção previdenciária.

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