ABC e SBPC alertam para possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras

Entidades científicas manifestaram preocupação com possíveis pressões externas, especialmente dos Estados Unidos, e defenderam soberania e integridade do processo eleitoral

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
  • Ane Xavier
  • Atualizado: 24/09/2026, 09:17h

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) manifestaram preocupação com possíveis interferências estrangeiras nas eleições brasileiras de 2026, especialmente diante de eventuais pressões provenientes dos Estados Unidos. Em nota conjunta divulgada na segunda-feira (21), as entidades afirmaram que possíveis ações externas poderiam afetar a soberania nacional, o funcionamento das instituições democráticas e a formação da vontade dos eleitores. A ABC e a SBPC defenderam que as escolhas políticas dos brasileiros sejam feitas de forma livre e sem interferência externa.

As entidades também destacaram a necessidade de atenção a novas formas de interferência relacionadas à circulação de informações, dados e tecnologias. Segundo a nota, eventuais ações desse tipo devem ser identificadas e apuradas com base em evidências, transparência e respeito ao Estado Democrático de Direito. A manifestação ocorre após alertas sobre possíveis pressões externas no contexto das eleições deste ano. As entidades também apoiaram a iniciativa do Instituto Vladimir Herzog de levar à Organização das Nações Unidas preocupações relacionadas a possíveis ingerências no processo eleitoral brasileiro.

No documento, ABC e SBPC defenderam a participação de instituições públicas, comunidade científica e acadêmica, organizações da sociedade civil, meios de comunicação, plataformas digitais e da população na proteção da integridade do processo eleitoral.

O primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 está marcado para 4 de outubro. Na ocasião, os eleitores escolherão presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital. Um eventual segundo turno está previsto para 25 de outubro. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a votação ocorrerá das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.

Na nota, a ABC e a SBPC ressaltaram que a defesa da democracia envolve, entre outros princípios, a soberania nacional, a autodeterminação, eleições livres e íntegras, a não intervenção externa e o respeito ao resultado oficialmente proclamado pela Justiça Eleitoral, independentemente de quem seja o vencedor. As entidades encerraram o documento defendendo o direito do Brasil de decidir seu futuro por meio de um processo eleitoral livre de interferências externas.

Confira na íntegra a nota da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC):

Soberania e democracia: o Brasil decide seu futuro

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) manifestam preocupação diante dos alertas sobre possíveis interferências externas no processo eleitoral brasileiro de 2026, em particular dos alertas sobre eventuais pressões provenientes dos Estados Unidos que possam afetar a soberania nacional, o funcionamento das instituições democráticas e a livre formação da vontade dos eleitores.

ABC e SBPC consideram relevante, nesse contexto, a iniciativa do Instituto Vladimir Herzog de levar às Nações Unidas preocupações relacionadas a possíveis ingerências no processo eleitoral brasileiro e de solicitar atenção internacional à defesa da soberania, do princípio da não intervenção e do respeito ao resultado oficialmente proclamado pela Justiça Eleitoral, independentemente de quem seja o vencedor.

A escolha dos governantes brasileiros pertence exclusivamente ao povo brasileiro. Nenhum Estado, governo, poder econômico ou ator externo deve buscar condicionar essa decisão, seja por pressões políticas ou econômicas, seja pela manipulação do ambiente informacional ou pelo uso indevido de tecnologias e plataformas digitais.

Em um mundo marcado pela circulação transnacional de informações, dados e tecnologias, a proteção da democracia exige atenção também às novas formas de interferência. Eventuais ações dessa natureza devem ser identificadas e apuradas com base em evidências, transparência e respeito ao Estado Democrático de Direito.

A defesa da democracia também diz respeito à comunidade científica. Ela depende do acesso ao conhecimento, da liberdade de pensamento, da integridade da informação e da possibilidade de que cidadãs e cidadãos formem suas convicções sem manipulações ou condicionamentos indevidos. Soberania política, soberania científica e soberania digital são dimensões cada vez mais interdependentes da capacidade de uma nação decidir seu próprio futuro.

ABC e SBPC conclamam as instituições da República, a comunidade científica e acadêmica, as organizações da sociedade civil, os meios de comunicação, as plataformas digitais e toda a sociedade brasileira a permanecerem vigilantes na defesa da integridade do processo democrático. Cabe a todos contribuir, em suas respectivas responsabilidades, para um ambiente público baseado em informação confiável, respeito às instituições, liberdade de escolha e rejeição a qualquer tentativa de interferência externa na vontade soberana da população brasileira.

ABC e SBPC reafirmam, portanto, princípios que não pertencem a qualquer candidatura, partido ou governo: a soberania nacional e a autodeterminação; eleições livres e íntegras; a não intervenção externa; o respeito à Constituição e às instituições democráticas; a integridade do ambiente informacional; e o reconhecimento do resultado oficialmente proclamado pela Justiça Eleitoral, qualquer que seja a escolha soberana das urnas.

Defender a democracia brasileira é defender o direito do Brasil de decidir, livremente e sem interferências externas, o seu futuro.

Rio de Janeiro, São Paulo, 21 de setembro de 2026.

HELENA BONCIANI NADER
Presidente da ABC

FRANCILENE PROCÓPIO GARCIA
Presidente da SBPC

*Com informações da Agência Brasil

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