TSE anuncia reeleição de Lula e destaca participação dos eleitores no segundo turno

Em balanço das Eleições 2026, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, apresentou dados sobre comparecimento, transporte gratuito, inclusão, judicialização e dificuldades operacionais durante a apuração.

Presidente do TSE faz balanço do 2º turno das Eleições 2026. Foto: Luiz Roberto/Secom/TSE
  • Júnior Patente
  • Atualizado: 26/10/2026, 03:55h

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República com 64.256.232 votos, correspondentes a 51,79% dos votos válidos, segundo o resultado anunciado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, neste domingo (25). Flávio Bolsonaro (PL) ficou em segundo lugar, com 59.826.041 votos, ou 48,21%.

Durante o pronunciamento, o ministro parabenizou os candidatos e os governadores eleitos no segundo turno e destacou a participação popular como elemento central do processo democrático.

De acordo com os números apresentados pelo TSE, mais de 158 milhões de eleitores estavam aptos a votar. Cerca de 128,2 milhões compareceram às urnas, enquanto a abstenção ficou em torno de 19,2%, abaixo dos 21,08% registrados no primeiro turno.

Nunes Marques também ressaltou a disponibilização de mais de 95 mil locais de votação em todo o país, medida destinada a facilitar o acesso dos eleitores às seções eleitorais.

Transporte gratuito e acesso ao voto

O transporte coletivo gratuito nos dias de votação foi outro ponto destacado pelo presidente do TSE. A medida segue parâmetros estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento da ADPF 1.013, e pela Resolução TSE nº 23.751/2026.

Segundo o ministro, os tribunais regionais eleitorais foram orientados a fiscalizar a oferta do serviço, com acompanhamento do TSE e da Corregedoria-Geral Eleitoral.

Nunes Marques afirmou que eventuais falhas ou insuficiências na oferta de transporte devem ser apuradas pela Justiça Eleitoral, responsável pela organização e condução do processo eleitoral.

Prorrogação da votação provocou ajustes na apuração

O ministro também abordou os desafios operacionais relacionados à decisão liminar do STF que determinou a prorrogação, das 17h às 19h, no horário de Brasília, da votação nas seções eleitorais que ainda estavam abertas.

Segundo o presidente do TSE, o pedido de ampliação do horário foi recebido por volta das 15h30. Ele relatou ter buscado informações técnicas junto ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), às prefeituras envolvidas e às equipes do tribunal superior.

Nunes Marques afirmou que não havia norma que previsse a prorrogação nas condições apresentadas e classificou a situação como inédita no tribunal. A decisão, tomada poucas horas antes do encerramento previsto, exigiu adaptações nos sistemas e nas rotinas de trabalho.

Como milhares de urnas já haviam sido encerradas às 17h, não foi possível reabri-las. Diante disso, o recebimento dos Boletins de Urna (BUs) foi temporariamente suspenso, provocando acúmulo de arquivos à espera de processamento.

Apesar das dificuldades, o ministro afirmou que as equipes técnicas conseguiram dar continuidade à apuração. Das 499.248 urnas utilizadas no segundo turno, 1.551 precisaram ser substituídas, o equivalente a 0,31%, segundo os dados apresentados.

TSE recebeu 2.265 processos eleitorais

O balanço também apontou um volume elevado de demandas judiciais relacionadas às eleições. Conforme Nunes Marques, 2.265 processos foram submetidos ao TSE, incluindo 827 representações e 446 pedidos de direito de resposta.

O presidente do tribunal destacou que a análise dos processos exige respeito ao contraditório, avaliação técnica e fundamentação das decisões. Para ele, a busca por respostas rápidas precisa ser conciliada com as garantias do devido processo legal.

O ministro defendeu o aperfeiçoamento dos procedimentos para os próximos pleitos, com a racionalização dos fluxos de trabalho e a adoção de mecanismos que permitam acelerar a tramitação sem comprometer a qualidade das decisões judiciais.

Observadores acompanharam o processo eleitoral

A participação de observadores nacionais e internacionais também foi mencionada no balanço. Segundo o presidente do TSE, as missões tiveram acesso aos procedimentos de votação, aos mecanismos de auditoria e fiscalização e às informações necessárias para realizar o acompanhamento independente.

Nunes Marques afirmou que a presença dessas instituições contribui para ampliar a transparência, avaliar a experiência brasileira e identificar oportunidades de aperfeiçoamento da organização eleitoral.

Inclusão e representatividade

O ministro destacou ainda iniciativas voltadas à ampliação da participação política de mulheres, pessoas negras, povos indígenas, comunidades quilombolas, comunidades tradicionais e pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Entre as ações citadas estão mecanismos de incentivo às candidaturas femininas e negras, medidas de promoção das candidaturas indígenas e a destinação mínima de recursos públicos para candidaturas de mulheres e pessoas negras, conforme as regras eleitorais aplicáveis.

Nunes Marques também mencionou o programa Seu Voto Importa, apresentado como parte dos esforços para facilitar o exercício do direito ao voto.

Ao avaliar as iniciativas de acessibilidade e inclusão, o presidente do TSE afirmou que a Justiça Eleitoral buscou ampliar as condições de participação dos cidadãos no processo democrático.

O balanço encerrou com a defesa do aperfeiçoamento contínuo dos serviços eleitorais, tanto na organização da votação quanto na apuração dos resultados, no julgamento de processos e na garantia de condições para que diferentes grupos da população exerçam seus direitos políticos.

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