Eleições 2026: disputas estaduais podem influenciar estratégias de Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno

  • Júnior Patente
  • Atualizado: 04/10/2026, 12:01h

São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Ceará estão entre os estados considerados decisivos para a mobilização política dos candidatos à Presidência.

As eleições deste domingo (4) podem definir, já no primeiro turno, os governadores de 17 estados brasileiros, segundo pesquisas de intenção de voto divulgadas na reta final da campanha. O cenário é acompanhado pelas equipes de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que avaliam como os resultados estaduais poderão influenciar a disputa presidencial em um eventual segundo turno.

Embora o voto para governador não seja automaticamente transferido ao candidato à Presidência apoiado por ele, a definição das disputas estaduais pode fortalecer alianças políticas, ampliar a participação de lideranças regionais e facilitar a mobilização de prefeitos e apoiadores.

Entre os estados que concentram maior atenção estão São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Ceará. Além de reunirem expressivos contingentes eleitorais, essas unidades da Federação apresentam cenários políticos distintos, que podem interferir nas estratégias das duas campanhas.

Sudeste concentra esforços dos candidatos

A região Sudeste reúne 41,78% do eleitorado brasileiro, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e representa uma das principais frentes da disputa presidencial.

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) aparece como favorito à reeleição. Pesquisa Quaest divulgada às vésperas da votação apontou 60% dos votos válidos para Tarcísio, contra 36% para Fernando Haddad (PT).

Uma vitória de Tarcísio no primeiro turno poderá permitir que o governador participe mais ativamente da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. No entanto, a intensidade desse envolvimento ainda é uma incógnita, assim como o potencial de transferência de votos entre os candidatos.

Em Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) também aparece bem posicionado na disputa pelo governo estadual. Levantamento Quaest divulgado em 3 de outubro apontou 54% dos votos válidos para o candidato. Patrus Ananias (PT) registrou 23%, enquanto Alexandre Kalil (PDT) apareceu com 10%.

O estado tem importância histórica para as eleições presidenciais: desde 1989, o candidato que venceu a disputa nacional também venceu em Minas Gerais. Na corrida presidencial deste ano, pesquisa Datafolha divulgada em 2 de outubro indicou Lula com 42% das intenções de voto no estado, contra 36% de Flávio Bolsonaro, em cenário de empate técnico.

No Rio de Janeiro, a disputa pelo governo permanece mais aberta. Eduardo Paes (PSD), apoiado por Lula, enfrenta adversários que buscam ampliar o espaço da direita no estado. O resultado poderá influenciar a capacidade de mobilização das duas campanhas presidenciais.

Bahia e Ceará são estratégicos para o PT

No Nordeste, Bahia e Ceará representam áreas importantes para a estratégia eleitoral de Lula. Nos dois estados, governadores petistas tentam a reeleição em disputas competitivas.

Na Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) enfrenta ACM Neto (União Brasil). Segundo a reportagem da Exame, pesquisas divulgadas na semana da eleição apontaram crescimento do governador, que passou a aparecer à frente do adversário.

Uma eventual vitória de Jerônimo no primeiro turno poderá facilitar a mobilização de prefeitos e outras lideranças políticas em favor da candidatura presidencial de Lula. O PT também busca ampliar a vantagem do presidente no estado em relação ao resultado de 2022, quando Lula superou Jair Bolsonaro por aproximadamente 3,7 milhões de votos na Bahia.

No Ceará, o governador Elmano de Freitas (PT) disputa a reeleição contra o ex-governador Ciro Gomes (PSDB). Pesquisa Datafolha divulgada na véspera da votação apontou Elmano com 50% das intenções de voto, contra 47% de Ciro.

O resultado poderá influenciar a organização dos palanques políticos no estado e a participação das lideranças locais na campanha presidencial.

Alagoas e Pernambuco também integram o cenário estratégico do PT, com Renan Filho (MDB) e João Campos (PSB), respectivamente, entre os candidatos citados pela reportagem como competitivos nas disputas estaduais.

Sul oferece base de apoio a Flávio Bolsonaro

Na região Sul, candidatos alinhados ao bolsonarismo aparecem bem posicionados em diferentes disputas estaduais, o que pode ampliar a estrutura de apoio político de Flávio Bolsonaro.

No Paraná, Sergio Moro (PL) lidera as pesquisas para o governo, embora a possibilidade de vitória no primeiro turno seja considerada menos provável. No Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL) também aparece entre os principais candidatos.

Em Santa Catarina, o governador Jorginho Mello (PL) é apontado como favorito à reeleição. Uma eventual confirmação dessas lideranças nas urnas poderá ampliar a presença de aliados de Flávio na região durante uma possível segunda etapa da eleição presidencial.

Abstenção também preocupa as campanhas

Além da distribuição dos apoios políticos, as campanhas precisam considerar a participação dos eleitores em um eventual segundo turno.

Com o encerramento das disputas para governador, deputados e senadores, parte dos candidatos e de suas estruturas de campanha poderá se dedicar à eleição presidencial. Por outro lado, o fim das disputas estaduais também pode reduzir o incentivo de alguns eleitores para retornar às urnas.

Nesse contexto, a avaliação de especialistas ouvidos pela Exame é que o impacto das eleições estaduais não depende apenas da transferência direta de votos, mas também da capacidade dos aliados de manter suas bases mobilizadas.

Os resultados deste domingo deverão ajudar Lula e Flávio Bolsonaro a reorganizar suas estratégias, definir prioridades regionais e ampliar a articulação política para a continuidade da disputa presidencial.

Fonte: Exame.

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