Brasil registra 1,5 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil em 2025

Levantamento do IBGE aponta redução de 9,2% em relação ao ano anterior, mas revela que 4% da população de 5 a 17 anos ainda enfrenta essa realidade

Foto: Ministério do Trabalho
  • Júnior Patente
  • Atualizado: 19/10/2026, 08:34h

O Brasil contabilizou 1,499 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil em 2025. O número corresponde a 4% da população nessa faixa etária e representa uma redução de 9,2% em comparação com 2024, quando o país registrou aproximadamente 1,65 milhão de pessoas nessa condição. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

Apesar da queda, o problema continua atingindo um contingente expressivo de crianças e adolescentes. O resultado de 2025 é o menor da série histórica iniciada em 2016, segundo o instituto.

Do total identificado, cerca de 1,141 milhão realizava atividades econômicas, enquanto 358 mil estavam envolvidos exclusivamente na produção de bens para o próprio consumo. A pesquisa considera fatores como idade, tipo de atividade, jornada de trabalho e condições em que as tarefas são realizadas para classificar as situações de trabalho infantil.

Adolescentes mais velhos concentram a maior parcela

O levantamento mostra que a ocorrência do trabalho infantil aumenta conforme a idade. Entre crianças de 5 a 13 anos, a proporção era de 1,1%. Na faixa de 14 e 15 anos, o índice chegava a 5,9%. Já entre adolescentes de 16 e 17 anos, alcançava 14,5%.

Os adolescentes de 16 e 17 anos representavam 58,1% do total de pessoas nessa situação. Aqueles com 14 e 15 anos correspondiam a 23,2%, enquanto o grupo de 5 a 13 anos respondia por 18,7%.

A legislação brasileira proíbe o trabalho antes dos 16 anos, com exceção da aprendizagem profissional a partir dos 14. Para adolescentes de 16 e 17 anos, o exercício de atividades profissionais é permitido, desde que respeitadas as restrições legais, incluindo a proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre.

Meninos e crianças negras são maioria

Os dados do IBGE também apontam diferenças por sexo e cor ou raça. Os meninos correspondiam a 65,4% das crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil em 2025, enquanto as meninas representavam 34,6%.

Pessoas pretas ou pardas somavam 67% do total identificado pelo levantamento, evidenciando a desigualdade racial presente nesse cenário.

A distribuição regional também apresenta diferenças. O Sudeste concentrava o maior número absoluto de crianças e adolescentes nessa condição, com 481 mil pessoas. O Nordeste aparecia em seguida, com 408 mil, enquanto o Norte registrava 249 mil, o Sul, 233 mil, e o Centro-Oeste, 128 mil.

Quando se considera a proporção em relação à população de cada região, o Norte apresentava o maior índice, de 6,3%. No Sudeste, a taxa era de 3,3%.

Trabalho em condições perigosas ainda preocupa

Em 2025, aproximadamente 525 mil crianças e adolescentes estavam envolvidos nas chamadas piores formas de trabalho infantil, que incluem atividades capazes de comprometer a saúde, a segurança e o desenvolvimento físico e psicológico.

O contingente representa uma redução de 6,3% em relação ao ano anterior, conforme os dados divulgados pelo IBGE.

A pesquisa também identificou que o comércio e a reparação de veículos concentravam 29% das ocupações, seguidos pela agricultura, pecuária e pesca, com 16,7%. A indústria geral respondia por 12,5%, enquanto alojamento e alimentação representavam 12,2%.

Trabalho infantil afeta a frequência escolar

A inserção precoce no mercado de trabalho também está associada a diferenças no acesso à educação. Entre crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil, a taxa de escolarização era de 86,9%. No conjunto da população da mesma faixa etária, o percentual chegava a 97,5%.

A distância entre os indicadores evidencia que crianças e adolescentes submetidos ao trabalho infantil enfrentam maiores dificuldades para conciliar as atividades profissionais com a formação escolar.

Além de comprometer o tempo dedicado aos estudos, jornadas extensas e atividades perigosas podem prejudicar o desenvolvimento físico, emocional e social.

Redução entre beneficiários do Bolsa Família

O levantamento também identificou uma queda expressiva entre crianças e adolescentes que vivem em domicílios atendidos pelo Bolsa Família. Nesse grupo, o número de pessoas em situação de trabalho infantil diminuiu em 144 mil entre 2024 e 2025.

A redução correspondeu a mais de 95% da queda total registrada no país, estimada em 151 mil pessoas no período.

O dado mostra que a maior parte da diminuição observada ocorreu entre beneficiários do programa. Entretanto, a pesquisa, por si só, não permite atribuir toda a redução exclusivamente ao Bolsa Família.

Embora o resultado represente um avanço, os números indicam que o enfrentamento do trabalho infantil continua sendo um desafio para o país. A proteção social, o acesso à educação e a fiscalização das condições de trabalho permanecem entre os instrumentos importantes para combater a exploração de crianças e adolescentes.

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua — Trabalho de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos, 2025.

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