Bahia: sinônimo de resistência
“Nasce o sol a 2 de julho, brilha mais que no primeiro
É sinal que neste dia até o sol, até o sol é brasileiro
Nunca mais, nunca mais o despotismo
Regerá, regerá nossas ações
Com tiranos não combinam
Brasileiros, brasileiros corações”
Lembro-me que cantávamos o hino da nossa independência na escola. Eu, menina já muito imaginativa, achava lindo aquele momento junto com os coleguinhas, sob comando da professora. Era como se fizéssemos parte de algo grandioso. Mesmo sem entender o significado de algumas palavras, como despotismo, a canção já me tocava.
Depois, comecei a confundir despotismo com nepotismo, pois lá em casa sempre se falava e ouvia falar de Política, por meio do rádio e da televisão. Aí, deu-se um nó na minha cabecinha! Como é que o nepotismo estava acontecendo a torto e a direito, denunciado aos quatro cantos pela imprensa, se, no hino, ele havia sido extinto?
2 de julho de 1823 marca a vitória do nosso povo contra as tropas portuguesas que, sem suprimentos e cercadas por terra e pelo mar, fugiram de Salvador, depois de quase 1 ano e meio de batalhas sangrentas. Além de militares, a resistência baiana foi composta por negros escravizados e libertos, sertanejos, indígenas e personagens históricos, como Maria Quitéria, a grande heroína da independência - uma mulher que se vestiu de homem para conseguir entrar no exército brasileiro e lutar contra os portugueses - e Joana Angélica, abadessa assassinada pelas tropas portuguesas - que se transformou num grande mártir.
É interessante revisitar a história e perceber que mesmo depois da Independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822, forças portuguesas comandadas pelo brigadeiro Madeira de Melo ainda dominavam Salvador e a Baía de Todos-os-Santos, pois não aceitavam a libertação do nosso povo. Por isso, os conflitos iniciados em fevereiro daquele ano, só chegaram ao fim em julho do ano seguinte. O Recôncavo Baiano se tornou a base estratégica da reação quando a população, fugindo dos bloqueios impostos a Salvador pelos portugueses, se refugiou em cidades como Santo Amaro, São Francisco do Conde e Cachoeira, onde armaram o contra-ataque.
A importância da região para a vitória dos baianos também é celebrada todo ano, quando Cachoeira se torna a capital simbólica da Bahia, em 25 de junho, abrindo os festejos de comemoração ao 2 de julho.
Enquanto eu ia crescendo, mais conhecia sobre a Independência da Bahia e mais impressionada ficava. Também fui entendendo que despotismo significa um modo governo no qual uma única pessoa detém todo o poder e o exerce sem qualquer oposição, de modo absoluto. Já o termo nepotismo é usado para designar a prática de favorecimento de parentes ou pessoas próximas, na ocupação de cargos da administração pública.
A alegria de ver desatado aquele nozinho da infância se misturava à satisfação de constatar que aquela sensação de que cantar o 2 de julho era algo muito importante estava certa, afinal, a data é conhecida também como Independência do Brasil na Bahia. Por este e por tantos outros motivos, para mim, é impossível não ter orgulho de ser baiana. Salve a Bahia e o seu povo!









