Por conta da desinformação, só 5% das crianças pequenas completaram vacinação contra covid-19 no Brasil

País registrou mais de 1,1 mil internações de crianças menores de 14 anos por quadros respiratórios causados pelo coronavírus em 2026 e 25 mortes;

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
  • Ane Xavier
  • Atualizado: 23/10/2026, 04:12h

Apenas 5% das crianças pequenas no Brasil receberam as três doses da vacina contra a covid-19, necessárias para completar o esquema vacinal infantil de rotina. O dado é do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, e foi divulgado nesta sexta-feira (23) pela Agência Brasil. A baixa cobertura ocorre em um ano no qual a doença provocou mais de 1,1 mil internações de crianças menores de 14 anos por quadros respiratórios graves e 25 mortes nessa faixa etária.

Entre as crianças que morreram em 2026, 15 tinham menos de dois anos. Segundo o diretor do PNI, Eder Gatti, o país tem estoques de vacinas e contratos para manter o abastecimento, mas a desinformação sobre os imunizantes continua sendo um obstáculo à adesão das famílias.

Desde 2024, a vacina contra a covid-19 integra o calendário básico de vacinação infantil. Para crianças menores de cinco anos, o esquema de rotina prevê três doses, aplicadas aos 6, 7 e 9 meses de idade. A vacinação também pode ser realizada posteriormente, conforme a idade, o histórico vacinal e as orientações do Ministério da Saúde.

Segundo Gatti, a resistência à vacinação está relacionada, entre outros fatores, à disseminação de informações falsas sobre a segurança dos imunizantes durante a pandemia. O diretor afirma que o poder público compra e distribui as doses, mas enfrenta dificuldades para convencer parte das famílias a vacinar as crianças.

Outro desafio é o armazenamento das vacinas. Conforme explicou o diretor do PNI à Agência Brasil, determinados frascos precisam ser mantidos congelados e, depois de descongelados, têm prazo de validade de dez semanas. Caso não sejam utilizados nesse período, precisam ser descartados. A baixa procura pode, portanto, contribuir para perdas de doses e dificultar o planejamento da distribuição dos imunizantes.

A vacinação infantil contra a covid-19 começou no Brasil em janeiro de 2022, após autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Desde então, a segurança e a efetividade dos imunizantes vêm sendo acompanhadas por estudos científicos e pelo monitoramento de possíveis eventos adversos.

Segundo dados apresentados pelo Ministério da Saúde à Agência Brasil, mais de 6 milhões de doses foram aplicadas em crianças durante a pandemia, sem registro de óbitos atribuídos à vacinação. Cerca de 92% das reações notificadas foram leves e esperadas, como febre e dor no local da aplicação.

A Agência Brasil também destacou uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP), com dados de 24 cidades brasileiras, que identificou redução de 97% nos casos graves de covid-19 entre crianças vacinadas, conforme os resultados do estudo.

O Ministério da Saúde ressalta que as vacinas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) passam por monitoramento contínuo. Suspeitas de reações graves são investigadas pelas autoridades sanitárias.

Além dos quadros respiratórios graves, a covid-19 pode provocar outras complicações na população infantil. Uma delas é a Síndrome Inflamatória Multissistêmica, uma reação inflamatória que pode comprometer diferentes órgãos. Entre 2020 e 2023, o Brasil registrou 2.115 casos dessa síndrome em crianças e adolescentes, com 142 mortes, segundo os dados citados pela Agência Brasil.

Durante os principais anos da pandemia, de 2020 a 2022, mais de 23 mil crianças de até 11 anos desenvolveram Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associada à covid-19, e 1.067 morreram. O risco de complicações reforça a importância da prevenção, sobretudo entre crianças pequenas, que fazem parte do público contemplado pelo calendário de vacinação de rotina.

Quem deve se vacinar?

De acordo com o calendário do PNI, a vacina contra a covid-19 é recomendada para crianças a partir dos seis meses até 4 anos, 11 meses e 29 dias, além de grupos específicos, como gestantes, idosos e pessoas imunocomprometidas, conforme as orientações vigentes.

Na rotina infantil, as três doses são previstas para os 6, 7 e 9 meses. Crianças que não iniciaram a vacinação ou estão com o esquema incompleto podem procurar uma unidade de saúde para avaliação e atualização das doses.

A orientação é que pais e responsáveis levem a caderneta de vacinação para que os profissionais confiram o histórico e indiquem as doses necessárias. O esquema adequado pode variar de acordo com a idade, as doses já recebidas e eventuais condições clínicas.

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