Flávio Bolsonaro foge do Brasil após derrota eleitoral; EUA confirmam vistos e PT pede prisão preventiva

Senador descumpriu ordem do STF para entregar passaportes, teria cruzado a fronteira com a Argentina e é alvo de pedido de alerta vermelho da Interpol

  • Júnior Patente
  • Atualizado: 27/10/2026, 07:36h

A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, dois dias após sua derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, ganhou nesta terça-feira (27) dois desdobramentos decisivos: a confirmação, pelo governo dos Estados Unidos, de queá vistos ao parlamentar e seus familiares, e o pedido de deputados petistas ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que seja decretada sua prisão preventiva, com eventual pedido de alerta vermelho da Interpol.

EUA confirma concessão de vistos

Um alto funcionário do Departamento de Estado Americano confirmou à agência Associated Press (AP), sob condição de anonimato, que o governo de Donald Trump concederá vistos a Flávio Bolsonaro e seus familiares para permitir a entrada nos Estados Unidos. Membros da diplomacia brasileira em Washington também confirmaram a entrega ao ICL Notícias. A autoridade não esclareceu qual modalidade de visto será concedida nem se o senador já chegou ao território americano.

Segundo fontes oficiais brasileiras, Flávio teria recebido instruções para seguir à Flórida, em uma operação iniciada na noite de segunda-feira (26). A fuga do contorno com o apoio da administração Trump e era conhecida pelas mais altas instâncias da Casa Branca, conforme revelado mais cedo pelo ICL Notícias. A Reuters também informou, com base em um aliado do senador e em uma fonte do governo americano, que ele estava no caminho dos Estados Unidos. A trajetória utilizada, porém, ainda não foi esclarecida.

A decisão de Washington acrescenta uma dimensão diplomática ao episódio. Ainda não há confirmação de que Flávio tenha solicitado ou recebido asilo político — a concessão de vistos não equivale à autorização de residência permanente nem impede que o Brasil apresente um eventual pedido de extradição.

Descumprimento de ordem judicial e cancelamento de passaportes

Flávio deveria ter entregue seus passaportes à Polícia Federal até o meio-dia desta terça-feira, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF. O prazo terminou sem que os documentos fossem apresentados, e a PF determinou seu cancelamento — tanto o passaporte comum quanto o diplomático. Uma medida judicial foi adotada no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

As notícias apontam que o senador teria atravessado a fronteira com a Argentina em direção aos Estados Unidos, informação ainda não oficializada pelas autoridades. Diante disso, a PF e o Ministério da Justiça acionaram autoridades argentinas para verificar se ele deixou o território nacional. Até a manhã desta terça-feira, Flávio não havia sido localizado, e aliados e advogados relataram dificuldades para estabelecer contato com ele.

PT pede prisão preventiva e alerta da Interpol

Os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG), além da deputada federal eleita Ana Elisa Santos (PT-MG), pediram a Moraes a prisão preventiva do senador. Os parlamentares também solicitaram a emissão de um alerta vermelho da Interpol, caso a ordem de prisão seja expedida, e que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestasse com urgência sobre o caso.

O pedido foi motivado pelo suposto descumprimento da determinação de entrega dos passaportes e pelo risco de fuga. Os deputados solicitaram ainda que a defesa de Flávio informe seu paradeiro e que as autoridades argentinas sejam acionadas para identificar quem contratou o jato mencionado nas notícias, além de obter os registros dos passageiros transportados pela aeronave.

Para os autores da representação, o descumprimento da ordem judicial, somado à incerteza sobre a localização do senador, indica risco à aplicação da lei penal e justificaria a adoção de medidas cautelares. O documento também menciona que Flávio é citado em dois procedimentos: o caso Dark Horse, relacionado ao escândalo do Banco Master, e a apuração sobre sua sociedade com Willer Tomaz, investigado no caso do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Investigação em curso

Enquanto as autoridades brasileiras investigam como o senador deixou o país apesar das restrições judiciais, o governo americano confirma sua disposição de recebê-lo — o que pode transformar o caso em um novo capítulo de tensão diplomática entre Brasília e Washington.

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