Governo Federal lança novo Plano Nacional do Livro e Leitura com meta de atingir 55% de leitores no país até 2035

Assinatura da portaria interministerial entre MinC e MEC marca o Dia Mundial do Livro; projeto foca na democratização do acesso, redução do custo de obras literárias e inclusão social

Foto: Tiago Queiroz/Estadão
  • Ane Xavier
  • Atualizado: 23/04/2026, 10:15h

Em celebração ao Dia Mundial do Livro, o Governo Federal assina nesta quinta-feira (23) a portaria interministerial que institui o novo Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) para o decênio 2026-2036. A cerimônia, comandada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com as presenças dos ministros Margareth Menezes (Cultura) e Leonardo Barchini (Educação), renova a política pública iniciada originalmente em 2006.

O plano consolida-se como uma política de Estado voltada para a promoção da leitura, estabelecendo metas ambiciosas para a próxima década. O objetivo central é elevar o percentual de leitores no Brasil dos atuais 47% para 55% da população até o ano de 2035.

O histórico do PNLL demonstra impactos concretos no cenário nacional. Desde a sua criação, o índice médio de leitura no país saltou de 1,8 livro por habitante para cerca de 4,7 livros nos períodos de maior mobilização do programa. Além disso, o esforço conjunto permitiu zerar o déficit de municípios sem bibliotecas públicas.

Para o novo ciclo, o governo aposta em medidas estruturais para expandir o acesso ao livro:

  • Redução do custo das obras literárias.

  • Expansão da rede de livrarias no interior do país.

  • Fortalecimento do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas.

  • Ampliação de acervos com acessibilidade plena (braille, libras e audiolivros).

  • Inserção de atividades de leitura em espaços não convencionais, como hospitais e unidades prisionais.

A nova etapa do plano transcende a alfabetização funcional, tratando a leitura como pilar para o pensamento crítico e a cidadania. O PNLL 2026-2036 está estruturado em quatro eixos principais:

  1. Democratização do acesso.

  2. Fomento à leitura e formação de mediadores.

  3. Valorização institucional da leitura.

  4. Desenvolvimento da economia do livro.

Uma das inovações mais relevantes do atual documento é o reconhecimento da escrita criativa como um direito. A proposta visa estimular os cidadãos a se tornarem produtores de cultura, com foco especial em territórios periféricos, indígenas e quilombolas.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou o papel do livro como ferramenta de soberania e defesa democrática. "O livro e a leitura são vacinas contra a desinformação e contra a deterioração intelectual que o consumo superficial de conteúdos digitais pode causar. Nosso compromisso é garantir que o livro chegue a cada canto do país", afirmou.

O secretário de Formação, Livro e Leitura do MinC, Fabiano Piúba, reforçou o caráter estratégico do projeto. "O PNLL é a nossa bússola estratégica. Ele estabelece diretrizes que nos permitem ocupar as praças, as escolas e as bibliotecas com uma agenda que coloca o livro na 'cesta básica' do brasileiro", pontuou.

Comentários


Instagram

Facebook