Dia de Combate à Hipertensão alerta para nova regra médica: pressão 12 por 8 passa a ser considerada pré-hipertensão
Doença silenciosa atinge cada vez mais jovens no Brasil; nova diretriz busca antecipar cuidados médicos e incentivar mudanças no estilo de vida
O Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, lembrado neste domingo (26), joga luz sobre uma doença crônica e silenciosa que vem mudando de perfil. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a condição não é mais uma preocupação exclusiva de adultos e idosos, afetando cada vez mais adolescentes e até crianças.
O Ministério da Saúde define a hipertensão — popularmente conhecida como pressão alta — como a elevação contínua dos níveis de pressão sanguínea nas artérias. Esse quadro obriga o coração a fazer um esforço muito maior para distribuir o sangue pelo corpo. Se não for controlada, a doença se torna um dos principais fatores de risco para infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVCs), aneurismas e insuficiência renal ou cardíaca.
Uma das mudanças mais importantes no acompanhamento da doença ocorreu no ano passado, com a publicação de uma nova diretriz pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Nefrologia e Sociedade Brasileira de Hipertensão.
A tradicional medida de 12 por 8 (120/80 mmHg) deixou de ser considerada a pressão arterial "normal" ou ideal. Agora, esse índice é classificado como pré-hipertensão. O objetivo da classe médica com essa reclassificação é identificar pacientes em risco mais cedo, incentivando mudanças de hábitos antes que o quadro se agrave e exija medicação.
Pela nova regra:
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Pressão normal: Exige resultados inferiores a 12 por 8.
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Pré-hipertensão: A partir de 12 por 8.
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Hipertensão (estágios 1, 2 e 3): Medidas iguais ou superiores a 14 por 9, dependendo da avaliação médica no consultório.
Embora cerca de 90% dos casos de pressão alta sejam herdados geneticamente (histórico familiar), o estilo de vida é determinante para o agravamento da doença. O Ministério da Saúde alerta para os seguintes fatores de risco:
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Consumo elevado de sal;
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Tabagismo e uso de bebidas alcoólicas;
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Obesidade e sedentarismo;
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Níveis altos de colesterol e estresse.
A hipertensão é considerada uma doença silenciosa. Na maioria das vezes, os sintomas só aparecem quando a pressão sobe de forma drástica. Nessas crises, o paciente pode apresentar dores no peito ou de cabeça, tonturas, zumbido no ouvido, fraqueza, visão embaçada e sangramentos pelo nariz.
A única forma segura de diagnosticar a hipertensão é por meio da medição regular. A orientação oficial é que pessoas acima de 20 anos meçam a pressão pelo menos uma vez por ano. Para quem tem histórico da doença na família, a recomendação sobe para, no mínimo, duas vezes ao ano.
Embora não tenha cura, a pressão alta pode ser controlada com acompanhamento médico adequado. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento e medicamentos gratuitos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e na rede Farmácia Popular. Para retirar os remédios, o paciente precisa apresentar um documento de identidade com foto, CPF e a receita médica (do SUS ou rede privada) com validade de até 120 dias.
Para evitar a doença ou impedir a sua evolução, os especialistas recomendam a adoção de uma rotina mais saudável. Entre as principais medidas preventivas estão:
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Controlar o peso corporal e o diabetes;
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Reduzir o uso de sal, substituindo-o por temperos naturais;
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Praticar atividades físicas regularmente;
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Evitar alimentos muito gordurosos;
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Abandonar o cigarro e moderar o consumo de álcool;
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Garantir momentos de lazer para a redução do estresse.







