“É um dos grandes problemas que as bibliotecas do Brasil enfrentam, essa invisibilidade nos orçamentos”, desabafa Juliana Brito, bibliotecária e ativista cultural
Juliana comentou sobre a mudança promovida na Biblioteca Sá Nunes, que passou a ter seu espaço usado pela Guarda Municipal e Polícia Militar
A edição do UP Notícias desta segunda-feira (27) entrevistou a bibliotecária, escritora e ativista cultural, Juliana Brito, que comentou sobre as recentes mudanças promovidas nas dependências da Biblioteca Municipal José de Sá Nunes pela Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista.
O espaço da Biblioteca Sá Nunes começou a ser utilizado, nesta semana, pela Guarda Municipal em parceria com a Polícia Militar. O uso do espaço, segundo a Prefeitura Municipal, busca combater atos ilícitos, garantindo a integridade de usuários, servidores do patrimônio público sem que prejudique o funcionamento normal ou acesso à biblioteca.
Após as fortes chuvas, o acervo da biblioteca foi afetado pelo mofo e diversos livros foram guardados em sacos de lixo para evitar perdas. Diante do cenário, foi expressa, na Carta de Salvador, a insatisfação da comunidade bibliotecária, acadêmica e cultural de diferentes regiões do país, que afirmaram que as bibliotecas públicas brasileiras ainda enfrentam precariedades históricas, marcadas pela insuficiência de investimentos.
“Esse é o espírito da Carta de Salvador, não é só uma responsabilidade do poder público. É uma responsabilidade de todos nós para garantir o direito, o acesso à literatura, mas sobretudo à memória também do nosso território”, desabafou Juliana Brito.
A Biblioteca Municipal José de Sá Nunes possui o segundo maior acervo municipal da Bahia, com mais de 35 mil livros divididos em literatura brasileira, estrangeira, pesquisa acadêmica, leitura infantil e juvenil e um espaço memorial com livros raros e livros em braile.
“Se é uma política de governo, fica muito vulnerável ao humor ou ao interesse de determinado governo, mas se é uma política de Estado, ela tem continuidade e ela tem orçamento próprio, porque é um dos grandes problemas que as bibliotecas do Brasil enfrentam, essa invisibilidade nos orçamentos e Vitória da Conquista não é diferente”, explicou a bibliotecária.







