Laudos atrasados tiram mando de campo e expõem fragilidade estrutural do esporte local
A repetição de um problema antigo voltou a custar caro ao futebol de Vitória da Conquista. A ausência dos laudos obrigatórios para liberação do estádio comprovado, mais uma vez, na perda do mando de campo , obrigando a equipe a atuar fora da cidade. O episódio, que deveria ser exceção, tornou-se rotina — e levanta questionamentos diretos sobre a condução da política esportiva municipal.
Essa exigência é clara e conhecida há anos: quatro laudos são indispensáveis para a realização de partidas oficiais — Vigilância Sanitária, Corpo de Bombeiros, Engenharia e Polícia Militar. O prazo estipulado pela federação, com base em determinações do Ministério Público, era 19 de março. Não se trata de uma regra nova, tampouco de um procedimento inesperado.
Ainda assim, o cenário se repete. Documentações incompletas, vencidas ou em processo de renovação fora do tempo hábil impediram a liberação do estádio. O resultado prático é direto: jogos transferidos para outra praça esportiva — neste caso, o estádio da cidade de Jequié, há 150km da cidade de Vitória da Conquista.
O que chama atenção não é apenas o problema em si, mas sua reincidência. Os clubes que visitam a cidade atendem aos critérios. Equipes locais convivem com o mesmo entra ano após ano.
Mas até esse ponto isso pode ser tratado como surpresa?
A crítica certamente recai sobre a Secretaria Municipal de Esportes. A pasta, que deveria atuar de forma preventiva e articulada, demonstra dificuldade em antecipar demandas que são previsíveis dentro do calendário esportivo. Não se trata de um imprevisto climático ou de uma mudança de regulamento de última hora — trata-se de cumprimento de critérios conhecidos, com prazo definido.
O ponto se torna ainda mais sensível quando se observa o perfil do atual gestor. Ex-jogador profissional e com passagem como dirigente do Serrano Sport Club, o secretário conhece, por experiência própria, os impactos diretos que a falta de estrutura e organização causa aos clubes. Já esteve do outro lado, lidando com as mesmas exigências. Justamente por isso, esperava-se maior sensibilidade, planejamento e eficiência na condução desses processos.
A questão, portanto, vai além da burocracia. Envolva sobretudo, compromisso com o esporte local. A perda de controle de campo não é apenas um detalhe logístico — ela impacta financeiramente os clubes, afasta o forçador, enfraquece o desempenho esportivo e compromete a imagem da cidade no cenário estadual.
Há também um componente humano um pouco considerado: o torcedor. Impedido de acompanhar sua equipe em casa, ele paga o preço de uma falha que se repete sem solução definitiva. Falta empatia com quem sustenta o futebol local.
Outro ponto crítico é a dependência de ações de última hora. Relatos indicam que, mesmo após o prazo, ainda havia expectativa de vistorias emergenciais, como a do Corpo de Bombeiros, numa tentativa de reverter a situação. Uma estratégia arriscada, que expõe improviso e fragilidade na gestão.
O estágio, desta vez, foi mais grave. Se antes o problema gerava apenas alertas e sustos, agora se concretizava em prejuízo esportivo real. Isso muda o patamar da discussão.
A pergunta que fica é direta: até quando?
Sem mudanças estruturais na forma como a Secretaria de Esportes planeja, executa e acompanha essas demandas, o cenário tende a se repetir. Em cada reprodução, o prejuízo é acumulado — dentro e fora de campo.
O futebol de Vitória da Conquista não precisa de explicação recorrentes. Precisa de soluções.







