Endividamento das famílias brasileiras volta a atingir pico histórico de 49,9%
Dados do Banco Central mostram que o setor igualou o recorde de julho de 2022; crédito consignado privado cresce 52% impulsionado por novo modelo do governo
O endividamento das famílias brasileiras junto ao sistema financeiro atingiu 49,9% em fevereiro, igualando o pico histórico da série registrado anteriormente em julho de 2022. Os dados foram divulgados pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (28), mostrando uma leve alta em relação aos 49,8% registrados em janeiro.
Quando são excluídas as dívidas imobiliárias, o endividamento ficou em 31,4%. O comprometimento da renda das famílias — ou seja, a parcela do orçamento mensal destinada ao pagamento de parcelas e juros — também subiu, passando de 29,5% para 29,7%.
Um dos destaques do relatório do Banco Central foi o crescimento acentuado nas concessões de crédito consignado para trabalhadores do setor privado. O volume de novos empréstimos saltou 52% em março, passando de R$ 7,1 bilhões para R$ 10,8 bilhões.
Esse movimento é atribuído ao "Crédito do Trabalhador", novo modelo de consignado privado lançado pelo governo federal no final de março de 2025. O saldo total da modalidade atingiu R$ 101,5 bilhões. Apesar de a taxa média de juros do setor ter caído de 59,4% para 56,8% no mês, o governo espera que os tomadores de crédito migrem de linhas mais caras para essa opção, embora as taxas ainda passem por um período de ajuste pelas instituições financeiras.
O juro médio total do rotativo do cartão de crédito apresentou queda, passando de 435,9% em fevereiro para 428,3% ao ano em março. Já a taxa do parcelado recuou de 196,5% para 192,1%. No geral, considerando todas as operações de cartão (rotativo e parcelado), a taxa diminuiu de 95,8% para 93,2%.
É importante notar que, desde janeiro de 2024, vigora uma lei aprovada pelo Congresso que limita os juros e encargos do rotativo e do parcelado a 100% do valor principal da dívida. O Banco Central explica que as taxas anuais superiores a 400% aparecem nos relatórios por uma questão de registro estatístico (projeção matemática do juro mensal para o ano), mas o valor efetivamente cobrado do consumidor não pode ultrapassar o teto estabelecido por lei.
A autoridade monetária mantém a divulgação dessas séries históricas para servir de referência sobre a velocidade de aumento ou redução dos juros no sistema financeiro nacional.
Dica de Economia: Especialistas recomendam que o comprometimento da renda com dívidas não ultrapasse 30% do orçamento familiar para evitar o superendividamento. Caso precise de crédito, o consignado costuma oferecer taxas significativamente menores que o rotativo do cartão.







