Bahia ecoa no coração tecnológico da China com concerto histórico da NEOJIBA
A música baiana cruzou continentes e alcançou um dos principais polos de inovação do planeta. A Orquestra Juvenil da Bahia (NEOJIBA) encerrou sua turnê internacional na cidade de Shenzhen, sede global da gigante chinesa BYD, consolidando um dos mais relevantes intercâmbios culturais recentes entre Brasil e China.
A apresentação final aconteceu no Shenzhen Concert Hall, após uma série de concertos iniciada em Pequim no fim de abril. A turnê integrou as celebrações do Ano da Cultura Brasil-China e percorreu ainda cidades estratégicas como Xi’an e Tianjin, reunindo cerca de 100 jovens músicos baianos em uma agenda considerada a maior já realizada por uma orquestra brasileira no país asiático.
Sob a regência do maestro Ricardo Castro, o grupo apresentou um repertório que destacou a identidade musical das Américas, com forte presença da cultura brasileira. Obras de Heitor Villa-Lobos dividiram espaço com clássicos populares como “Aquarela do Brasil” e “Tico-Tico no Fubá”, além de composições contemporâneas que incorporaram elementos afro-brasileiros, como o uso do berimbau em performances que envolveram o público chinês.
Mais do que um espetáculo musical, a turnê teve caráter estratégico. O projeto contou com patrocínio da BYD, empresa que mantém forte relação com a Bahia — inclusive com investimentos industriais no estado — e cuja sede global está localizada justamente em Shenzhen. Essa conexão reforça o papel da cultura como instrumento de diplomacia e aproximação econômica entre os dois países.
Criado em 2007, o NEOJIBA é reconhecido internacionalmente por utilizar a música como ferramenta de transformação social, promovendo inclusão, formação cidadã e excelência artística entre jovens. Ao longo de sua trajetória, o programa já impactou milhares de crianças e adolescentes, projetando talentos baianos para os principais palcos do mundo.
O encerramento em Shenzhen simboliza mais do que o fim de uma turnê: representa a consolidação da Bahia no circuito global da música erudita e reafirma o potencial da cultura como vetor de desenvolvimento e projeção internacional. A recepção calorosa do público chinês, com aplausos de pé, evidencia que a linguagem da música segue sendo universal — e que a Bahia sabe, como poucos, fazê-la ser ouvida.







