Estudantes da Ufba de Vitória da Conquista paralisam campus após interdição sanitária de fornecedora do R.U.

Mobilização cobra transparência contratual e melhorias na alimentação após fechamento de cozinha industrial por graves irregularidades

Foto: Secom PMVC
  • Ane Xavier
  • Atualizado: 19/05/2026, 09:28h

Estudantes do Instituto Multidisciplinar em Saúde da Universidade Federal da Bahia (IMS/Ufba), em Vitória da Conquista, realizam uma paralisação nesta terça-feira (19). O movimento iniciou-se nas primeiras horas da manhã com o fechamento dos portões do campus e prevê debates internos, além de uma passeata na Avenida Olívia Flores. A categoria reivindica melhorias imediatas no Restaurante Universitário (R.U.) e explicações sobre a gestão dos serviços de alimentação.

A mobilização ganhou força após a Coordenação de Vigilância Sanitária e Ambiental interditar totalmente uma cozinha industrial no bairro Bem Querer, responsável pelo preparo das refeições da universidade. A fiscalização ocorreu após alunos relatarem episódios coletivos de mal-estar decorrentes do consumo dos alimentos distribuídos no campus.

De acordo com o relatório da Vigilância Sanitária, a situação encontrada na estrutura da fornecedora foi considerada crítica. Entre os problemas identificados pelos agentes estão:

  • Falta de licenciamento: O estabelecimento operava sem alvará sanitário;

  • Estrutura adequada: Falhas graves nas condições de produção, armazenamento e transporte dos alimentos;

  • Insumos e higiene: Utilização de utensílios desgastados e fora dos padrões de conformidade;

  • Segurança hídrica e biológica: Ausência de amostras guardadas das refeições diárias, item obrigatório por lei para possibilitar investigações em casos de suspeita de contaminação.

O órgão sanitário instaurou uma investigação oficial para apurar o número exato de estudantes afetados e monitorar possíveis atendimentos médicos em UPAs e hospitais da região.

Os estudantes apontam que os problemas com o R.U. são antigos e envolvem desabastecimento de comida antes do horário de encerramento, demora na reposição, higiene precária de pratos e talheres, além da qualidade insatisfatória do cardápio. O impasse afeta diretamente as políticas de permanência estudantil, já que grande parte da comunidade acadêmica em situação de vulnerabilidade depende exclusivamente dessas refeições.

A indignação aumentou após a descoberta de possíveis irregularidades administrativas envolvendo a empresa prestadora do serviço, a M S Sousa & Miranda Alimentação LTDA, sediada em Quixadá (CE). O contrato original, no valor global de R$ 1.965.480,00, teve vigência de agosto de 2023 a agosto de 2024. No entanto, os manifestantes alegam que a documentação de renovação ou aditivo contratual para os anos seguintes não foi apresentada de forma transparente pela instituição. Além disso, entidades estudantis afirmam que um ofício com reclamações formais elaborado ainda em 2025 foi retido e não chegou a ser entregue à direção da unidade.

A organização da paralisação informou que o bloqueio dos portões mantém o acesso livre apenas para atividades essenciais de pesquisa laboratorial e serviços de atendimento direto ao público externo.

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