Daniel Thame: cinco décadas de jornalismo entre redações, rádio, TV e bastidores da política

  • Júnior Patente
  • Atualizado: 11/05/2026, 10:57h

Cinquenta anos de profissão, dezenas de histórias acumuladas, passagens por praticamente todas as plataformas de comunicação e uma trajetória marcada pela intensidade. O jornalista Daniel Thame foi o convidado do programa Mega Conversa, da Mega Rádio VCA, onde relembrou momentos decisivos da carreira e falou sobre o lançamento do livro Memórias Póstumas de um Jornalista Vivo.

Aos 67 anos, Thame revisita meio século de jornalismo iniciado em Osasco, na Grande São Paulo, ainda nos anos 1970. Desde o começo, segundo ele, a identificação com a profissão foi imediata. “Foi amor à primeira vista”, resumiu ao recordar os primeiros passos em jornais alternativos e rádios locais.

Entre as lembranças mais marcantes está a cobertura do movimento pelas Diretas Já. Trabalhando no Diário de Osasco, ele acompanhou de perto a mobilização popular pelo retorno das eleições presidenciais diretas. A derrota da emenda Dante de Oliveira, em 1984, deixou marcas profundas nas redações. “Parecia um velório”, contou ao lembrar o clima do dia seguinte.

Em 1987, Daniel Thame chegou ao Sul da Bahia e passou a acompanhar uma das maiores crises econômicas da região: a devastação provocada pela vassoura-de-bruxa nas lavouras de cacau. Ele testemunhou tanto a derrocada quanto a recuperação gradual da cultura cacaueira, além do surgimento da produção regional de chocolate fino. Nesse período, também realizou entrevistas e reportagens especiais, incluindo trabalhos com o escritor Jorge Amado.

Ao longo da entrevista, Thame falou sobre as diferenças entre os diversos meios de comunicação pelos quais passou. No jornal impresso, destacou a necessidade de profundidade e análise. No rádio, ressaltou a agilidade e a proximidade com o público. Já a televisão, segundo ele, trouxe um aprendizado fundamental: o poder da síntese.

A entrada na TV Cabrália aconteceu de forma inesperada. Após entrevistar o empresário e comunicador Nestor Amazonas para o Jornal Região, acabou convidado para integrar a equipe da nova emissora. Mesmo sem experiência em televisão, assumiu funções de repórter, editor e apresentador.

“O jornalismo de TV me ensinou a dizer em uma lauda o que antes eu dizia em quatro”, afirmou.

Além do trabalho em redações, Daniel Thame também atuou em campanhas políticas e assessoria de comunicação. Participou de campanhas eleitorais ligadas a nomes como Jaques Wagner, Rui Costa, Luiz Inácio Lula da Silva e Jerônimo Rodrigues, além de campanhas municipais em Itabuna.

Atualmente, exerce a função de articulador de comunicação do Governo da Bahia no Sul do estado e mantém dois sites de notícias.

Durante a conversa, Thame também fez uma análise do jornalismo no interior baiano. Para ele, o auge da comunicação regional ocorreu entre o fim dos anos 1980 e o início dos anos 1990, quando o Sul da Bahia concentrava emissoras fortes de rádio e TV, além de jornais impressos de grande circulação.

Segundo o jornalista, a crise da lavoura cacaueira e, posteriormente, a pandemia aceleraram o enfraquecimento dos veículos tradicionais. Ainda assim, ele acredita que cidades como Itabuna, Feira de Santana e Vitória da Conquista continuam sendo polos importantes da comunicação no interior da Bahia.

No livro “Memórias Póstumas de um Jornalista Vivo”, Daniel Thame reúne crônicas, reportagens e histórias de bastidores acumuladas ao longo da carreira. O título, inspirado no clássico de Memórias Póstumas de Brás Cubas, tem a intenção de provocar curiosidade e chamar a atenção do leitor.

O jornalista afirmou que o processo de escrita acabou se transformando em uma espécie de mergulho pessoal. Entre os temas abordados estão experiências profissionais na Bahia, coberturas internacionais e episódios pouco conhecidos da própria trajetória.

Ao final da entrevista, Thame deixou uma reflexão para os novos profissionais da área. Em um cenário marcado pela velocidade das redes sociais, pela inteligência artificial e pela circulação desenfreada de informações, ele apontou a ética como principal fundamento do jornalismo.

“Sem o bom jornalismo, nós não temos uma boa sociedade”, concluiu.

Confira a entrevista na íntegra

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