Fim da escala 6x1 ganha destaque no Congresso durante o Dia do Trabalhador
Propostas em tramitação defendem redução da jornada semanal para 40 horas e ampliação do descanso dos trabalhadores
Na última sexta-feira (1º), foi comemorado o Dia do Trabalhador. Mais do que uma comemoração, a data é, antes de tudo, política e simboliza uma luta histórica diante dos avanços industriais. O feriado teve origem em 1886, em Chicago, nos Estados Unidos, onde trabalhadores foram agredidos, presos e executados durante manifestações que reivindicavam a redução das jornadas de trabalho exaustivas, de 14 para 8 horas diárias.
No Brasil, o 1º de maio se tornou feriado nacional em 1924, durante o governo de Artur Bernardes. Desde então, os trabalhadores brasileiros conquistaram importantes avanços, como a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), no governo de Getúlio Vargas, em 1943, além dos direitos garantidos pela Constituição Federal de 1988, como 13º salário, FGTS e seguro-desemprego. Mais recentemente, o país passou pela reforma trabalhista de 2017.
Neste ano, o Dia do Trabalhador trouxe novamente ao debate a proposta pelo fim da escala 6x1. A medida busca garantir maior qualidade de vida e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, propondo a adoção da escala 5x2, além da redução da jornada semanal de 44 para 40 horas.
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, cerca de 33,2% dos empregos no Brasil estão inseridos na escala 6x1. Isso representa aproximadamente 20 milhões de pessoas trabalhando seis dias por semana em jornadas de 44 horas semanais.
Em entrevista à Mega Rádio VCA, o vereador Alexandre Xandó (PT) destacou que a redução da jornada de trabalho, sem diminuição salarial, pode contribuir para o aumento da empregabilidade e impulsionar a economia de Vitória da Conquista. Segundo ele, a mudança também permitiria que os trabalhadores tivessem mais tempo para atividades pessoais, convivência familiar e até para empreender. “A escala 6x1 me deixa longe da minha família durante muito tempo”, afirmou.
Marcus Pereira, comerciante entrevistado pela Mega Rádio, relatou que trabalha em jornada 6x1, sem folga fixa durante a semana, inclusive em feriados e finais de semana. Segundo ele, a rotina dificulta a resolução de questões pessoais, como ir ao banco ou ao médico, além de limitar o tempo com a família. “Eu vou poder descansar e passar mais tempo com minhas filhas”, afirmou ao comentar a possibilidade de duas folgas semanais.
A estudante de jornalismo Fernanda Amorim também comentou os impactos da escala 6x1. Além do trabalho formal, ela utiliza finais de semana e feriados para complementar a renda. Segundo Fernanda, folgar apenas um dia na semana significa precisar escolher entre estudos, tarefas domésticas e lazer. “É cansativo, porque enquanto estou estudando penso que deveria estar cuidando da casa; quando escolho o lazer, sinto que deveria ter escolhido os estudos”, relatou. Ela afirma que a redução da jornada pode melhorar sua qualidade de vida acadêmica, profissional e pessoal.
Propostas sobre o fim da escala 6x1
Atualmente, diferentes propostas relacionadas ao fim da escala 6x1 estão em tramitação no Congresso Nacional. Na última terça-feira (13), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Legislativo o Projeto de Lei nº 1838/2026 com pedido de urgência constitucional.
O texto propõe a redução da jornada semanal para 40 horas, mantendo o limite de 8 horas diárias, além da adoção da escala de cinco dias de trabalho para dois de descanso e da proibição de redução salarial em decorrência da mudança.







