Irã ameaça estender guerra ’’além da região’’ em resposta a ultimato de Donald Trump

Guarda Revolucionária reage após presidente dos EUA estabelecer prazo de poucos dias para acordo

  • Ane Xavier
  • Atualizado: 20/05/2026, 04:40h

A Guarda Revolucionária do Irã subiu o tom do discurso geopolítico nesta quarta-feira (20) e ameaçou expandir o atual conflito militar para fora das fronteiras do Oriente Médio. O comunicado das forças armadas iranianas surge como uma resposta direta às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do vice, JD Vance, que alertaram sobre a retomada iminente de bombardeios caso Teerã não firme um acordo de paz.

Em nota oficial, a força militar iraniana classificou a postura de Washington e Israel como uma provocação do "inimigo americano-sionista" e garantiu que possui capacidade bélica ainda não utilizada no conflito.

"Se a agressão contra o Irã se repetir, a prometida guerra regional desta vez se estenderá para além da região, e nossos golpes esmagadores em lugares que vocês menos esperam os levarão à ruína total", declarou a Guarda Revolucionária.

Na terça-feira (19), em conversa com jornalistas na Casa Branca, Donald Trump estipulou um prazo limite curto — que se encerra entre o próximo fim de semana e o início da semana seguinte — para que o governo iraniano retorne à mesa de negociações. O republicano reiterou que o Irã não terá permissão para desenvolver armas nucleares e sugeriu que, embora o país pareça inclinado a um entendimento, a opção de um "golpe duro" militar continua ativa.

Durante a coletiva, Trump revelou a proximidade de uma nova intervenção. Ao ser questionado sobre o planejamento militar, o presidente americano afirmou: "Eu estava a uma hora de distância [de atacar], teria acontecido agora mesmo".

O mandatário acusou os opositores do Partido Democrata de interferirem e prejudicarem o andamento das negociações com Teerã. Trump mencionou um suposto risco nuclear abstrato direcionado à cidade de Los Angeles para justificar sua postura rígida e afirmou trabalhar para evitar que o planeta entre em um conflito atômico sob sua gestão.

Apesar das ameaças de retaliação mútua, há uma frente diplomática em andamento conduzida por nações vizinhas. Na segunda-feira (18), Trump havia confirmado que o adiamento temporário de novos ataques aéreos atendeu a pedidos diretos de líderes da Arábia Saudita, do Catar e dos Emirados Árabes Unidos.

Esses países atuam como intermediários nas tratativas e sinalizaram à Casa Branca que estão próximos de obter um consenso sobre os termos nucleares por escrito com o Irã. O presidente norte-americano declarou que prefere uma solução negociada e pacífica através dos aliados do Golfo, mas enfatizou que o período de espera concedido é limitado.

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