Alimentar os peixes não é um gesto de carinho: hábito comum pode colocar em risco a vida dos animais

Prática frequente em espaços públicos preocupa especialistas e autoridades ambientais; em Vitória da Conquista, situação é observada diariamente na Praça Tancredo Neves.

  • Júnior Patente
  • Atualizado: 08/06/2026, 08:56h

Quem visita parques, praças e espaços de convivência com lagos artificiais costuma se encantar ao observar peixes nadando próximos à superfície da água. Para muitas famílias, especialmente aquelas que vivem em áreas urbanas e possuem poucas oportunidades de contato com ambientes naturais, esses locais representam uma rara chance de apreciar a fauna e desfrutar de momentos de lazer ao ar livre.

No entanto, um comportamento aparentemente inofensivo tem preocupado ambientalistas e gestores públicos em diversas partes do mundo: a alimentação inadequada dos peixes por visitantes.

Em muitos países e cidades brasileiras, já existem regras específicas que proíbem o fornecimento de alimentos aos animais em lagos públicos. Em alguns desses locais, a solução encontrada foi a instalação de pontos autorizados de venda de ração apropriada, permitindo que a interação ocorra sem comprometer a saúde dos animais e o equilíbrio ambiental.

O motivo da restrição é simples. Alimentos consumidos por humanos, como pipoca, salgadinhos, biscoitos, pão e outros produtos industrializados, possuem excesso de sal, gorduras, conservantes e substâncias que não fazem parte da dieta natural dos peixes. Além disso, o excesso de alimento que não é consumido acaba se decompondo na água, alterando sua qualidade e favorecendo desequilíbrios ambientais.

Problema também é realidade em Vitória da Conquista

Em Vitória da Conquista, uma das principais áreas de convivência da cidade, a Praça Tancredo Neves, recebe milhares de visitantes ao longo do ano. Entre os atrativos mais apreciados estão os tradicionais lagos, que fazem parte da paisagem histórica do local e despertam a atenção de crianças e adultos.

Apesar das orientações existentes, é comum observar visitantes lançando pipoca, salgadinhos e outros alimentos nos lagos. A cena, vista por muitos como uma forma de diversão, pode trazer consequências negativas tanto para os peixes quanto para o próprio ambiente.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMA) tem desenvolvido ações de conscientização para alertar a população sobre os riscos dessa prática. O órgão destaca que os animais recebem alimentação adequada diariamente, fornecida por equipes técnicas capacitadas.

Segundo informações da secretaria, os lagos da Praça Tancredo Neves abrigam principalmente duas espécies de peixes: carpas e tilápias. As carpas costumam permanecer em áreas mais profundas, enquanto as tilápias são frequentemente vistas próximas à superfície.

Esse comportamento, de acordo com a SEMMA, está relacionado ao hábito das tilápias de aceitar alimentos oferecidos pelos visitantes. Justamente por isso, a alimentação feita pelo público é considerada inadequada e prejudicial aos animais.

Qualidade da água é monitorada

Outro aspecto frequentemente alvo de dúvidas entre os frequentadores diz respeito à aparência da água dos lagos.

A Secretaria de Meio Ambiente esclarece que a água utilizada é captada do Poço Escuro, uma das áreas ambientais mais importantes do município. O sistema conta com bombas que acionam as cascatas, promovendo circulação e oxigenação constantes, fundamentais para a manutenção da vida aquática.

O tom esverdeado observado na água também não deve ser interpretado como sinal de poluição. Conforme a secretaria, essa coloração é resultado da presença de plantas aquáticas e da clorofila produzida por elas.

Além de contribuírem para o equilíbrio ecológico do ambiente, essas plantas servem como abrigo e fonte complementar de alimento para diversas espécies que habitam os lagos.

Um gesto simples que faz diferença

A preservação dos lagos da Praça Tancredo Neves depende não apenas do trabalho das equipes de manutenção, mas também da colaboração da população.

Observar os peixes, fotografar o ambiente e apreciar a paisagem são formas seguras e responsáveis de interação. Já a oferta de alimentos inadequados pode causar problemas de saúde aos animais, comprometer a qualidade da água e prejudicar toda a fauna que depende daquele ecossistema.

Por isso, fica o apelo aos visitantes: não joguem pipoca, salgadinhos, pães ou qualquer outro alimento humano nos lagos. Um gesto que parece carinho pode, na prática, representar um risco à vida dos animais.

Ao mesmo tempo, cabe uma reflexão ao poder público. A criação de um ponto autorizado para venda de ração apropriada, sob orientação técnica da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, poderia transformar a curiosidade e o desejo de interação dos visitantes em uma experiência educativa, segura e ambientalmente responsável.

Preservar os peixes e os lagos da Praça Tancredo Neves é uma responsabilidade compartilhada. Afinal, cuidar da natureza urbana também é uma forma de cuidar da qualidade de vida da própria cidade.

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