Governo federal anuncia R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas por tarifas dos EUA
Terceira etapa do Plano Brasil Soberano também atenderá setores estratégicos e exportadores prejudicados pela instabilidade no Golfo Pérsico
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta quarta-feira (22), a liberação de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito para empresas brasileiras afetadas pelas novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e pelos impactos da guerra no Oriente Médio.
A medida foi apresentada pelo governo como a terceira etapa do Plano Brasil Soberano. Do total anunciado, R$ 13,5 bilhões serão provenientes de recursos não utilizados na primeira fase do programa e de valores relacionados à renegociação de dívidas rurais. Outros R$ 5 bilhões serão disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Os financiamentos serão destinados a empresas exportadoras atingidas pela tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos a determinados produtos brasileiros. A cobrança começou a valer nesta quarta-feira e alcança setores como siderurgia, alumínio, automóveis, madeira, máquinas e equipamentos.
Também poderão ser contempladas empresas de áreas consideradas estratégicas para o comércio exterior, como os segmentos de fertilizantes, medicamentos, produtos têxteis, minerais críticos e equipamentos eletrônicos. Exportadores que tiveram as vendas destinadas ao Golfo Pérsico prejudicadas pela instabilidade na região também estão entre os possíveis beneficiários.
Para ter acesso às condições oferecidas pelo programa, as empresas deverão cumprir contrapartidas, entre elas a manutenção de pelo menos parte dos postos de trabalho. A intenção do governo é reduzir os impactos das barreiras comerciais sobre a produção, os investimentos e o emprego no país.
Programa foi ampliado em 2026
Criado inicialmente em 2025, o Plano Brasil Soberano oferece apoio financeiro a exportadores e fornecedores afetados por instabilidades no comércio internacional. A iniciativa foi retomada em março deste ano, por meio de uma medida provisória que autorizou R$ 15 bilhões para novas linhas de financiamento.
Posteriormente, o BNDES acrescentou R$ 6 bilhões de recursos próprios, elevando para R$ 21 bilhões o volume disponibilizado naquela etapa. Entre os setores abrangidos estavam siderurgia, fertilizantes, móveis, indústria automotiva, têxtil, farmacêutica, informática e minerais críticos.
Nesta quarta-feira, Lula também sancionou a lei originada da medida provisória que havia destinado os R$ 15 bilhões ao programa, garantindo a continuidade das linhas de crédito que poderiam ser contratadas até o fim da vigência do texto provisório, em 22 de julho.
Governo mantém negociações com os Estados Unidos
O novo pacote foi anunciado após uma rodada de reuniões entre integrantes do governo federal e representantes dos setores mais afetados pelas tarifas americanas. Os encontros foram realizados para identificar as principais dificuldades enfrentadas pelas empresas e discutir medidas de apoio aos exportadores.
Segundo integrantes do governo brasileiro, as negociações com os Estados Unidos avançaram inicialmente, mas encontraram resistência nos últimos meses. Entre os pontos levantados pelo governo americano estariam questões relacionadas ao Pix, à legislação sobre minerais críticos e à política ambiental brasileira.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que a intenção do Brasil não é retaliar imediatamente os produtos americanos. O governo avalia que a eventual adoção de medidas com base na Lei de Reciprocidade Econômica deverá ocorrer no momento considerado adequado, enquanto as negociações diplomáticas continuam.



