Messi desafia o destino, lidera reação épica e coloca Argentina nas quartas

Foto: Thomas COEX / AFP via Getty Images
  • Júnior Patente
  • Atualizado: 07/07/2026, 03:53h

A Argentina está nas quartas de final da Copa do Mundo depois de protagonizar uma das partidas mais emocionantes do torneio. Em um jogo que parecia caminhar para uma eliminação histórica, os argentinos buscaram forças onde poucos imaginavam existir e venceram o Egito por 3 a 2, em uma atuação que teve Lionel Messi como protagonista absoluto.

O roteiro começou de forma inesperada. Longe de se intimidar diante da tradicional camisa argentina, o Egito tomou conta da partida desde os primeiros minutos. Com organização, intensidade e velocidade na troca de passes, os africanos dominaram completamente o meio-campo e empurraram a equipe sul-americana para trás.

A Argentina parecia sem respostas. Marcava mal, errava passes simples e assistia ao adversário controlar o jogo com autoridade. Ainda assim, surgiu uma oportunidade que poderia mudar a história da partida.

O árbitro marcou um pênalti para a Argentina, decisão imediatamente contestada pelos jogadores egípcios. Em meio às reclamações, Lionel Messi colocou a bola na marca da cal. Era a chance de colocar os argentinos em vantagem contra tudo o que o jogo mostrava até então.

Mas o capitão desperdiçou. Foi o segundo pênalti perdido por Messi nesta Copa do Mundo, aumentando ainda mais a tensão para uma seleção que já vivia enormes dificuldades.

O erro não abalou o Egito. Pelo contrário. A equipe africana continuou impondo seu ritmo, sufocando a saída de bola argentina e construindo um volume ofensivo impressionante. O domínio foi premiado com dois gols que fizeram justiça ao que acontecia em campo.

O placar de 2 a 0 traduzia perfeitamente o momento do jogo. O Egito encantava pela qualidade coletiva, enquanto a Argentina parecia anestesiada, incapaz de reagir diante da intensidade do adversário.

Foi então que entrou em cena o maior jogador argentino de sua geração.

Aos 39 anos, depois de disputar uma desgastante partida anterior decidida apenas na prorrogação, Messi parecia compreender que aqueles poderiam ser seus últimos minutos em uma Copa do Mundo e, possivelmente, com a camisa da seleção argentina.

Ele simplesmente se recusou a aceitar aquele destino.

Mais do que talento, mostrou personalidade. Chamou a responsabilidade, passou a buscar a bola em todos os setores do campo e começou a empurrar seus companheiros para frente.

O primeiro gol nasceu de um cruzamento preciso do camisa 10, recolocando a Argentina no jogo e devolvendo a esperança aos torcedores.

Pouco depois, Messi cobrou uma falta, correu imediatamente para dentro da área e, atento ao rebote, apareceu para marcar um belo gol de empate, incendiando completamente a partida.

A reação mudou totalmente o ambiente. O Egito, que até então dominava com tranquilidade, passou a sofrer a pressão argentina.

No lance decisivo, Messi sequer precisou tocar na bola. Observando a movimentação da defesa adversária, indicou ao companheiro o espaço ideal para o passe. A orientação foi seguida, a jogada aconteceu exatamente como ele enxergou e saiu o terceiro gol argentino, consumando uma virada histórica.

Foi uma classificação construída com sofrimento, coragem e liderança.

O Egito deixa a Copa com enorme dignidade. Durante boa parte da partida foi superior, apresentou um futebol moderno, intenso e organizado, e esteve muito perto de eliminar uma das favoritas ao título.

Já a Argentina mostrou algo que muitas vezes decide campeonatos: capacidade de reagir quando tudo parece perdido. Não foi uma atuação perfeita. Longe disso. Mas foi uma demonstração de personalidade que pode marcar o restante da campanha.

E, inevitavelmente, a comparação com o Brasil surge de forma quase automática. Enquanto a Seleção Brasileira se despediu do Mundial exibindo um futebol apático, sem inspiração e incapaz de reagir nos momentos decisivos, a Argentina encontrou na entrega e na liderança de seu maior jogador a força para transformar uma eliminação praticamente certa em uma classificação inesquecível.

A diferença não esteve apenas na qualidade técnica. Esteve, sobretudo, na capacidade de competir até o último instante.

Agora, embalada por uma das maiores viradas desta Copa do Mundo, a Argentina aguarda seu adversário nas quartas de final, que sairá do confronto entre a Suíça e a Colômbia. Depois de uma noite como esta, fica a sensação de que jamais se pode dar como vencido um time que ainda tenha Lionel Messi disposto a desafiar o destino

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