Gigantes tombam no mesmo dia: Alemanha e Holanda dão adeus à Copa e ampliam crise do futebol europeu

  • Júnior Patente
  • Atualizado: 30/06/2026, 01:16h

O segundo dia da fase de mata-mata da Copa do Mundo de 2026 ficará marcado como uma das jornadas mais surpreendentes da história recente do torneio. Em poucas horas, duas das maiores potências do futebol mundial, Alemanha e Holanda, foram eliminadas nas disputas por pênaltis, diante de Paraguai e Marrocos, respectivamente, encerrando precocemente campanhas que alimentavam expectativas de protagonismo.

A queda da Alemanha teve contornos dramáticos. Depois de um empate por 1 a 1 ao longo dos 120 minutos, a seleção comandada por Julian Nagelsmann sucumbiu nos turnos diante de um Paraguai extremamente disciplinado defensivamente. O resultado representa mais um duro golpe para os tetracampeões mundiais, que voltam a brigar em uma Copa após as eliminações na fase de grupos em 2018 e 2022. Desta vez, a despedida aconteceu logo na primeira fase eliminatória.

O roteiro foi ainda mais cruel para os alemães. A equipe controlou a posse de bola durante grande parte do confronto, criou mais oportunidades, chegou a balançar as redes nos minutos finais da prorrogação, mas teve o gol anulado após revisão do VAR. Nos pênaltis, o Paraguai mostrou sangue frio e escreveu um dos capítulos mais memoráveis ​​de sua história em Copas do Mundo.

Se a eliminação alemã já foi considerada uma enorme zebra, a Holanda seguiu exatamente o mesmo caminho horas depois. Em um duelo equilibrado contra Marrocos, o empate em 1 a 1 persistiu até o fim da prorrogação, levando a decisão para as cobranças de pênaltis. Os marroquinos converteram três cobranças contra duas dos europeus e garantiram classificação histórica.

A derrota holandesa amplia a ascensão de Marrocos no cenário internacional. Depois da campanha histórica no Mundial de 2022, quando alcançou as semifinais, a seleção africana confirma que deixou de ser uma surpresa para se consolidar como uma força competitiva capaz de eliminar candidatos tradicionais ao título.

O resultado também reforça uma mudança no equilíbrio do futebol mundial. As convenções convencionais chegam cada vez mais qualificadas tática e fisicamente, enquanto gigantes europeus deixam de vencer apenas pela tradição. Paraguai e Marrocos apostaram em forte organização defensiva, disciplina coletiva e eficiência nos momentos decisivos, ingredientes suficientes para derrubar dois dos elencos mais valiosos da competição.

Para a Alemanha, a pressão sobre Julian Nagelsmann aumenta significativamente. A geração que deveria recolocar o país entre os protagonistas volta para casa sem conseguir romper a sequência de campanhas decepcionantes iniciadas após o título conquistado em 2014.

Na Holanda, o sentimento também é de enorme frustração. A equipe chegou ao Mundial cercada de expectativas após boa campanha na fase de grupos, mas repetiu um velho problema da seleção: a dificuldade em transformar superioridade técnica em classificação nos momentos decisivos.

Enquanto dois gigantes europeus fazem as malas, Paraguai e Marrocos seguem vivos em uma Copa do Mundo que, logo no início do mata-mata, já demonstram que a tradição pesa cada vez menos quando a bola começa a rolar.

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