Ausência de carta de anuência de ACM Neto motivou ação contra Diogo Azevedo, diz Blog do Sena

Negociações de bastidores indicam que promessa não cumprida de documento partidário gerou a ofensiva jurídica que resultou na suspensão de mandato em Vitória da Conquista

Da esq. à dir.: ACM Neto e Diogo Azevedo. Fotos: Brenno Carvalho e Ascom Câmara Municipal
  • Ane Xavier
  • Atualizado: 08/07/2026, 09:56h

Articulações de bastidores divulgadas pelo Blog do Sena apontam que o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), teria garantido ao vereador Diogo Azevedo (PSDB) a entrega de uma carta de anuência para viabilizar sua desfiliação partidária sem riscos jurídicos. Essa carta funciona como uma declaração formal do partido autorizando um político a mudar de legenda sem perder o mandato eletivo. Previsto na Constituição Federal, esse documento serve como uma espécie de "justa causa" para evitar punições por infidelidade partidária. A ausência do documento, que de acordo com interlocutores jamais foi entregue, serviu como base para a ação judicial movida pelo União Brasil. O processo resultou na decisão liminar do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) que suspendeu o mandato do parlamentar e abriu caminho para a posse do suplente Alisson da Educação na Câmara Municipal de Vitória da Conquista.

De acordo com as informações publicadas pelo veículo, as divergências políticas na localidade tiveram origem na composição dos projetos eleitorais para o pleito de 2026. Diogo Azevedo recebeu um convite da prefeita Sheila Lemos (União Brasil) para disputar uma vaga na Câmara Federal em uma dobradinha com o pré-candidato a deputado estadual Wagner Alves, marido da gestora. O vereador, contudo, optou por manter um acordo prévio com o deputado estadual Tiago Correia (PSDB) para estruturar sua pré-candidatura a deputado federal dentro da legenda tucana, movimento que contava com o conhecimento inicial de ACM Neto.

A manutenção do compromisso com o parlamentar do PSDB desagradou o núcleo político da prefeita, o que resultou na exoneração de aliados de Diogo Azevedo de cargos na estrutura administrativa do município e culminou no ajuizamento da ação judicial por troca de legenda fora da janela partidária. Diante do cenário de crise, fontes ouvidas pelo Blog do Sena afirmam que ACM Neto e Sheila Lemos participaram de uma reunião recente para debater os reflexos do impasse para o grupo político de oposição no estado da Bahia.

O monitoramento dos bastidores feito pelo veículo local indica que aliados do vereador afastado interpretaram a não entrega da carta de autorização como um recuo estratégico de ACM Neto perante a pressão exercida pelo grupo político de Sheila Lemos, que lidera o partido no terceiro maior colégio eleitoral do estado. Por outro lado, os integrantes do União Brasil no município evitam comentar o assunto de maneira pública.

Enquanto isso, Diogo Azevedo concentra esforços jurídicos para tentar reverter a decisão liminar que suspendeu suas atividades no Legislativo. Pessoas próximas ao parlamentar afirmam que ele manifesta confiança na modificação do entendimento judicial, embora reconheça a complexidade do arranjo partidário atual. O caso aguarda julgamento definitivo pelo plenário do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia.

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