Tempo seco aumenta riscos à saúde e de incêndios em Vitória da Conquista
Baixa umidade, temperaturas elevadas durante o dia e vegetação seca exigem cuidados com hidratação e atenção para evitar queimadas
Vitória da Conquista enfrenta nos últimos dias um período de baixa umidade do ar, condição comum durante o inverno no município, mas que, associada às temperaturas mais elevadas, aumenta os cuidados necessários com a saúde e o meio ambiente.
Segundo o climatologista e professor de Geografia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), Rosalve Lucas Marcelino, o período tem sido marcado por uma variação acentuada de temperatura, com noites frias e dias mais quentes.
“Por aqui em Conquista, essa elevação da temperatura significa também uma maior queda da umidade relativa do ar. Temos uma gangorra térmica bem perceptível: as noites são bem frias e os dias com temperatura bem elevada”, explicou.
De acordo com o professor, as condições também afetam o solo e deixam a vegetação mais seca, enquanto os efeitos sobre a população podem ser percebidos por sintomas como ardência nos olhos e aumento de processos alérgicos.
A Prefeitura informa ainda que há influência do El Niño, com efeitos sobre a distribuição das chuvas e o equilíbrio das temperaturas.
Baixa umidade exige cuidados com a saúde
Segundo as informações divulgadas pelo município, níveis reduzidos de umidade podem favorecer sintomas como ressecamento da pele, irritação nos olhos e na garganta, sangramento nasal, dor de cabeça e agravamento de problemas respiratórios.
O coordenador médico da Atenção Básica, João Porto, recomenda reforçar a ingestão de água mesmo quando não houver sensação intensa de sede e evitar atividades físicas prolongadas nos períodos mais quentes e secos.
“O principal cuidado é manter uma boa hidratação, dando preferência à água ao longo do dia, mesmo quando não houver sensação intensa de sede. Também é importante evitar atividades físicas intensas e prolongadas nos horários mais quentes e secos do dia”, orientou.
A atenção deve ser maior com crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias, como asma, rinite, bronquite e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Pessoas com doenças cardiovasculares e aquelas que trabalham ou permanecem durante muitas horas ao ar livre também precisam reforçar os cuidados.
Entre as recomendações estão manter a hidratação, evitar exercícios entre 10h e 16h, utilizar soro fisiológico para reduzir o ressecamento do nariz e dos olhos, evitar banhos muito quentes e prolongados e manter os ambientes ventilados e, quando necessário, umidificados.
A baixa umidade também aumenta a preocupação com incêndios e queimadas. Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), houve aumento significativo das ocorrências desde julho, atingindo áreas como a Serra do Periperi e outros pontos do município.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Diêgo Gomes, afirmou que ações humanas, acidentais ou provocadas, estão entre as principais causas das ocorrências. “Nesse período de baixa umidade, o risco de propagação do fogo aumenta e os impactos sobre a vegetação, a fauna e todo o ecossistema podem ser ainda maiores”, afirmou.
A orientação é evitar queimadas em vegetação e a utilização de fogo para eliminar lixo. Ao encontrar um incêndio, a população não deve tentar combater as chamas sem treinamento e equipamentos adequados, devido aos riscos de queimaduras, intoxicação pela fumaça e mudanças na direção do fogo.
Em áreas de reserva ambiental, ocorrências podem ser comunicadas à Semma pelo WhatsApp (77) 3229-3571. Para incêndios na área urbana ou em propriedades privadas, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo 193.



