SUS em Vitória da Conquista volta ao centro das atenções após impasse envolvendo Hospital Unimec
A assistência hospitalar pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Vitória da Conquista volta a enfrentar um cenário de incerteza. Meses depois de uma crise que levou o Hospital Unimec a anunciar a suspensão dos atendimentos à rede pública e provocou articulação entre Prefeitura, Ministério Público e direção da unidade, o futuro da parceria volta a ser questionado.
A informação que circula atualmente é de que o Município de Vitória da Conquista não teria renovado o vínculo com o Hospital Unimec após o período estabelecido no acordo firmado em março. Também há relatos de que o Hospital São Vicente não estaria mais realizando atendimentos pelo SUS. Essas duas informações ainda precisam ser confirmadas oficialmente pela Prefeitura, pela Secretaria Municipal de Saúde e pelas próprias instituições hospitalares.
O assunto ganha importância porque o Unimec exerce papel relevante na rede de urgência e emergência do município. Em fevereiro, a direção do hospital anunciou que deixaria de atender pacientes do SUS a partir de 28 de fevereiro. A instituição alegou que os valores recebidos por meio do contrato não eram suficientes para cobrir os custos de funcionamento de um hospital privado. A decisão provocou preocupação entre autoridades e usuários, já que a unidade era uma das portas de entrada para atendimentos de urgência e emergência.
Fevereiro: crise e suspensão anunciada
A crise começou a ganhar força no início de fevereiro, quando o Hospital Unimec comunicou a intenção de encerrar os serviços destinados ao SUS. A unidade informou que o contrato com o Município havia terminado e que não havia ocorrido uma renovação formal capaz de garantir a continuidade da prestação dos serviços nos mesmos moldes.
A situação mobilizou a Câmara Municipal e a Secretaria Municipal de Saúde. Vereadores alertaram para o impacto que a saída do hospital poderia provocar na rede pública, especialmente porque a unidade recebia pacientes de pronto-socorro, urgência e emergência, além de manter leitos clínicos e cirúrgicos vinculados ao município.
Com a aproximação do fim do atendimento, previsto para 28 de fevereiro, a Prefeitura anunciou medidas para reorganizar o fluxo de pacientes.
Março: rede é reorganizada e Unimec volta ao SUS
No dia 2 de março, a Prefeitura informou que havia reorganizado o atendimento de demanda espontânea após a ruptura contratual com o Unimec. Entre as medidas anunciadas estava a ampliação das equipes em unidades de saúde dos bairros Patagônia e CAE II, com estrutura para receber pacientes em situações de menor gravidade. A gestão também apontou a Santa Casa de Misericórdia como uma das portas de entrada da rede.
A solução, entretanto, foi temporária.
Depois de uma articulação envolvendo a Prefeitura, a Secretaria Municipal de Saúde, a Procuradoria-Geral do Município, o Ministério Público e a direção do Hospital Unimec, foi firmado um acordo para a retomada dos serviços.
A partir de 16 de março, o hospital voltou a receber pacientes do SUS para atendimento de urgência e emergência, com funcionamento 24 horas. Segundo a Prefeitura, o acordo estabelecia inicialmente seis meses de atendimento.
A retomada foi apresentada na época como uma solução para garantir a continuidade da assistência enquanto o município buscava alternativas para a organização da porta de entrada da rede hospitalar.
Agora, uma nova preocupação
O novo cenário informado à reportagem aponta para a possibilidade de encerramento novamente da parceria com o Unimec após o período acordado em março. Caso essa informação seja confirmada, a cidade poderá voltar a enfrentar uma redução na capacidade de atendimento hospitalar pelo SUS, especialmente nos serviços de urgência e emergência.
A situação exige esclarecimentos sobre como ficará o fluxo dos pacientes e quais unidades assumirão a demanda atualmente direcionada ao hospital.
Também é necessário esclarecer qual é, neste momento, a participação do Hospital São Vicente na rede pública. Embora informações oficiais da Prefeitura tenham apontado o São Vicente entre os hospitais que integram o fluxo de atendimento do SUS no município, não foi localizada, até o momento, uma comunicação oficial recente confirmando a suspensão dos atendimentos pela instituição.
Uma rede que precisa de respostas
O debate sobre o atendimento hospitalar não se resume à existência ou não de um contrato com determinada unidade. O ponto central é a capacidade da rede de absorver a demanda da população.
Vitória da Conquista é referência regional em saúde e recebe pacientes de municípios da região. Por isso, qualquer alteração significativa na oferta de serviços hospitalares pelo SUS pode repercutir não apenas entre os moradores da cidade, mas também entre pacientes encaminhados de outras localidades.
A rede municipal conta ainda com serviços próprios, entre eles o Hospital Municipal Esaú Matos, referência em obstetrícia e pediatria. Em março de 2026, por exemplo, a unidade registrou 4.319 atendimentos de emergência, sendo 1.797 na área de obstetrícia. Foram 707 internações e 519 partos no período.
O desafio, portanto, é garantir que a eventual saída de uma unidade contratada não provoque sobrecarga nas demais portas de atendimento.
Enquanto não houver uma manifestação oficial atualizada, permanecem duas perguntas fundamentais para os usuários do SUS em Vitória da Conquista: o Hospital Unimec continuará atendendo pela rede pública após o fim do acordo de março? E qual será o papel do Hospital São Vicente nesse atendimento?
As respostas são fundamentais para que pacientes, familiares e profissionais de saúde saibam para onde recorrer e como ficará organizado o atendimento de urgência e emergência no município.



