Cristo de Mário Cravo é oficialmente tombado como patrimônio de Vitória da Conquista
Decreto publicado nesta quinta-feira (13) estabelece proteção histórica, artística, cultural e paisagística ao monumento; ato oficial de tombamento acontece na segunda-feira (17)
O Monumento do Cristo Crucificado, obra do escultor baiano Mário Cravo Júnior e um dos símbolos de Vitória da Conquista, foi oficialmente tombado como Patrimônio Histórico, Artístico, Cultural e Paisagístico do Município. O Decreto nº 24.371/2026 foi publicado no Diário Oficial Municipal desta quinta-feira (13).
O ato oficial de tombamento será realizado na próxima segunda-feira (17), às 10h, na área do Cristo, data em que é celebrado o Dia Nacional do Patrimônio Histórico.
Inaugurado em 9 de novembro de 1980, o monumento está localizado na Serra do Periperi e se consolidou como uma referência da paisagem urbana de Vitória da Conquista. A obra também possui relevância artística pela linguagem escultórica adotada por Mário Cravo Júnior e pela representação de Cristo associada a características do povo sertanejo.
Com o tombamento, o monumento passa a ser submetido a um regime especial de proteção previsto na legislação municipal. O objetivo é preservar suas características e impedir intervenções que possam comprometer seus valores históricos, artísticos, culturais e paisagísticos.
O que muda com o tombamento?
A partir do decreto, ficam proibidas ações de destruição, demolição, mutilação, descaracterização ou alteração das características essenciais da obra sem autorização prévia do órgão municipal responsável pela proteção do patrimônio.
Intervenções de conservação, manutenção e restauração também deverão ser submetidas previamente à análise do Município. A exigência se estende à instalação de equipamentos e à realização de obras capazes de afetar direta ou indiretamente a integridade física, visual, artística ou paisagística do Cristo.
A proteção não abrange apenas a estrutura física. O decreto determina a preservação das características artísticas e escultóricas, dos materiais e métodos construtivos, dos aspectos formais e volumétricos e dos valores históricos, documentais, simbólicos e culturais relacionados ao monumento.
Outro ponto previsto é a proteção da relação do Cristo com a paisagem onde está inserido.
A área de entorno e de proteção visual ainda será delimitada. A definição dependerá de estudo técnico elaborado pelo Núcleo de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural, considerando aspectos como a visibilidade do monumento, sua ambiência e a relação com a Serra do Periperi e a paisagem urbana de Vitória da Conquista.
O tombamento não impede a utilização da área do Cristo pela população. O espaço poderá continuar recebendo atividades culturais, turísticas, religiosas, educativas e de lazer, desde que sejam compatíveis com a preservação do monumento e respeitem as normas patrimoniais, ambientais e urbanísticas.
O processo de tombamento passou anteriormente pelo Conselho Municipal de Cultura, que aprovou por unanimidade o parecer técnico favorável à proteção do monumento.
Com a publicação do decreto, o Cristo de Mário Cravo passa a contar com reconhecimento formal e proteção legal como patrimônio municipal, estabelecendo regras para intervenções futuras tanto na obra quanto em sua relação com a paisagem de Vitória da Conquista.



