Candidaturas negras chegam a 49,8% nas Eleições 2026, aponta levantamento
Estudo do Inesc e da CommonData mostra aumento da participação de pretos e pardos, enquanto avanço entre mulheres permanece mais discreto
As candidaturas de pessoas negras representam 49,8% do total registrado para as Eleições 2026, segundo levantamento realizado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e pela consultoria CommonData, a partir de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dos 20.448 candidatos válidos identificados até 16 de agosto, 10.191 se autodeclararam pretos ou pardos. Apesar de representar quase metade das candidaturas, o percentual ainda é inferior à participação desse grupo na população brasileira, estimada em 55,5%.
Entre os candidatos deste ano, 2.789 são pretos, o equivalente a 13,6%, e 7.402 são pardos, ou 36,2%. Na população brasileira, esses grupos representam, respectivamente, 10,2% e 45,3%. O levantamento aponta uma mudança em relação às Eleições de 2022, quando as candidaturas de pessoas negras correspondiam a 35,5% do total.
O estudo também identificou alterações na autodeclaração racial de candidatos. Entre aqueles anteriormente identificados como brancos, 338 passaram a se declarar pardos e seis, pretos. Segundo a assessora do Inesc Carmela Zigoni, a mudança pode estar relacionada à ampliação da presença da pauta racial nas estratégias eleitorais. O levantamento, no entanto, chama atenção para a necessidade de analisar a representatividade não apenas pelo número de candidaturas, mas também pelas condições disponíveis para as campanhas.
A Emenda Constitucional nº 133, de 2024, alterou as regras de distribuição dos recursos destinados às candidaturas negras. Conforme explicado no levantamento, anteriormente a proporção de recursos deveria acompanhar o percentual de candidaturas negras de cada partido. Com a mudança, mesmo que uma legenda tenha 50% de candidatos negros, o percentual destinado pela cota passa a ser de 30%. Nesse contexto, o estudo aponta fatores como financiamento, estrutura de campanha e tempo de propaganda como elementos importantes para avaliar a participação efetiva desses candidatos.
Quando gênero e raça são analisados conjuntamente, os homens brancos permanecem como o maior grupo isolado, com 6.688 candidaturas, correspondentes a 32,7% do total. Na sequência aparecem os homens pardos, com 4.917 candidaturas, ou 24,1%; mulheres brancas, com 3.271, ou 16%; e mulheres pardas, com 2.485, equivalentes a 12,2%.
As mulheres pretas somam 1.234 candidaturas, ou 6% do total, enquanto os homens pretos representam 7,6%, com 1.555 candidatos. Das 7.116 mulheres que disputam as eleições, 3.719, ou 52,2%, são negras. Considerando todas as candidaturas, as mulheres negras representam 18,2%, contra 17,3% nas eleições de 2022.
Segundo o levantamento, a participação feminina apresentou crescimento limitado em relação ao último pleito. A participação das mulheres cresceu cerca de 1%, enquanto a das mulheres negras avançou 0,5%. O levantamento contabilizou ainda 191 candidaturas de pessoas autodeclaradas indígenas, equivalentes a 0,9% do total. Em 2022, eram 172 candidaturas, ou 0,6%. Entre os candidatos indígenas deste ano, 84 são mulheres.
Já as candidaturas quilombolas somam 212, correspondentes a 1% do total. São 110 homens e 102 mulheres. Entre os candidatos quilombolas, 140 se autodeclaram pretos e 43, pardos. Os resultados completos do levantamento do Inesc e da CommonData estão previstos para serem divulgados no final de setembro.




