Com unidades fechadas em Vitória da Conquista, Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial
Grupo busca renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas após processo nacional de redução da rede física; companhia afirma que operações remanescentes continuarão funcionando
O Grupo Casas Bahia anunciou, na noite deste domingo (16), que entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida busca reorganizar as finanças da companhia e renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas, após um período marcado por dificuldades financeiras e redução da estrutura física da rede.
Em Vitória da Conquista, duas das três lojas da Casas Bahia foram fechadas durante o processo de reestruturação da companhia. As unidades do Shopping Conquista Sul e da Praça Barão do Rio Branco foram desligadas, enquanto o estabelecimento da Avenida Lauro de Freitas continua aberta até o momento da redação desta matéria.
As unidades fazem parte do movimento de redução da rede física adotado nacionalmente pelo grupo, que informou ter encerrado 298 lojas consideradas pouco rentáveis como parte do Plano de Transformação iniciado em 2023.
A recuperação judicial envolve a própria Casas Bahia e outras nove empresas do grupo. O mecanismo permite que companhias em dificuldades financeiras negociem suas obrigações sob supervisão da Justiça, com o objetivo de evitar a falência e manter suas atividades durante a reorganização.
Segundo a empresa, o pedido foi aprovado pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador e protocolado no Foro Central Cível de São Paulo. Por ter sido apresentado em caráter de urgência, ainda deverá ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária.
Apesar do processo, a companhia informou que pretende manter em funcionamento as lojas físicas que permanecem abertas, o comércio eletrônico e os demais canais de venda, sem interrupções relevantes aos consumidores.
Grupo aponta juros altos, crédito restrito e queda no consumo
Esta não é a primeira tentativa da Casas Bahia de reorganizar suas dívidas. Em 2024, a companhia realizou uma recuperação extrajudicial que envolveu a renegociação de aproximadamente R$ 4,1 bilhões com instituições financeiras.
Na ocasião, a expectativa era de que a renegociação, acompanhada da redução dos custos financeiros e de uma recuperação do consumo, contribuísse para estabilizar as contas. Segundo a companhia, entretanto, o cenário econômico continuou desfavorável, com juros elevados, restrição ao crédito, aumento dos custos financeiros e enfraquecimento do consumo, afetando a capacidade de geração de caixa.
A empresa também buscou alternativas para obter novos recursos. Entre o fim de 2025 e o primeiro semestre deste ano, foram realizadas reuniões com investidores no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa, incluindo discussões sobre uma possível oferta de ações.
Uma operação com investidores internacionais não avançou após a desistência do investidor âncora. Outras possibilidades, como empréstimos-ponte e novas linhas de crédito, também não foram concluídas nas condições esperadas.
O pedido de recuperação judicial foi anunciado um dia após a divulgação do balanço financeiro referente ao segundo trimestre de 2026. Entre abril e junho, a Casas Bahia registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões. Segundo a companhia, aproximadamente R$ 9,1 bilhões correspondem a ajustes contábeis extraordinários e despesas relacionadas ao processo de reestruturação, sem impacto imediato no caixa.
No mesmo período, a receita líquida avançou 1,6%, alcançando R$ 6,98 bilhões, enquanto as vendas realizadas diretamente pela internet cresceram 15,3%, chegando a R$ 2,8 bilhões.
A companhia também informou ter registrado avanços na geração de caixa e na redução da dívida líquida, além do alongamento dos prazos de parte dos financiamentos.
Fechamento de lojas faz parte de plano iniciado em 2023
A redução da presença física da Casas Bahia integra o chamado Plano de Transformação, iniciado em 2023. Além do fechamento de 298 unidades consideradas de baixa rentabilidade, a estratégia incluiu redução de estoques, corte de despesas e concentração dos investimentos nas operações consideradas de maior retorno.
Segundo a companhia, a estratégia busca aumentar a rentabilidade das unidades que permanecem em operação e fortalecer a geração de caixa. O pedido de recuperação judicial representa uma nova etapa desse processo. Caso seja aceito pela Justiça, o grupo deverá apresentar e negociar um plano para o pagamento e reorganização das dívidas, enquanto mantém suas atividades empresariais.



