“Super” El Niño pode se intensificar e trazer mais calor e seca ao Brasil

Previsões apontam temperaturas acima da média entre setembro e novembro

Foto: Inmet
  • Ane Xavier
  • Atualizado: 03/09/2026, 03:38h

O fenômeno El Niño tem 90% de probabilidade de atingir intensidade considerada “muito forte” nos próximos três meses, segundo as previsões mais recentes do Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (CPC/NOAA). Entre setembro, outubro e novembro, a expectativa é de temperaturas acima da média em praticamente todo o Brasil. Apesar da tendência de calor, a atuação de massas de ar frio ainda poderá provocar quedas bruscas de temperatura durante setembro.

Os pesquisadores ressaltam que um El Niño mais intenso não significa, necessariamente, que todos os seus efeitos serão proporcionalmente mais severos. No entanto, a intensidade do fenômeno pode aumentar a probabilidade de ocorrência de alterações nos padrões de temperatura e precipitação.

As projeções indicam diferenças importantes entre as regiões brasileiras. Enquanto partes do Sul devem registrar chuvas acima da média histórica, o cenário previsto para o Norte e Nordeste é de menor volume de precipitação durante o trimestre. Também há maior probabilidade de chuvas abaixo do normal em áreas do centro do país e do Sudeste, incluindo partes de Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo.

No Norte, a previsão de redução das chuvas abrange áreas do Amapá, Roraima, Pará, Amazonas, Acre e porções de Tocantins e Rondônia, além do norte de Mato Grosso. No Nordeste, o Maranhão aparece entre os estados com previsão de precipitação abaixo da média.

A combinação entre temperaturas elevadas e períodos prolongados de estiagem preocupa principalmente pelo aumento das condições favoráveis à propagação de queimadas. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alerta que o risco pode ser ampliado caso ocorra atraso no início do período chuvoso.

O cenário para os próximos meses é influenciado pela atuação do El Niño, fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, capaz de alterar padrões de circulação atmosférica e, consequentemente, a distribuição das chuvas e das temperaturas em diferentes regiões. Entre setembro e novembro, áreas que normalmente atravessam a transição entre a estação seca e o período chuvoso, como partes da Amazônia Legal e do Pantanal, também podem ter essa dinâmica modificada.

Apesar da previsão de um trimestre predominantemente mais quente, episódios pontuais de frio ainda podem ocorrer, especialmente durante setembro, devido à passagem de massas de ar frio. Para o Norte, Nordeste e áreas centrais do país, a combinação de calor acima da média, redução das chuvas e vegetação mais seca deve manter a atenção para o risco de incêndios durante os próximos meses.

Comentários


Instagram

Facebook