Rivais pressionam Premier League por punição rigorosa ao Manchester City

  • Júnior Patente
  • Atualizado: 01/10/2026, 09:43h

A pressão sobre a Premier League aumentou após a decisão da comissão independente que considerou o Manchester City culpado das 115 acusações relacionadas a violações das regras financeiras da competição. Clubes rivais defendem que uma eventual punição seja proporcional à dimensão e ao período das irregularidades apontadas no processo.

Segundo a imprensa britânica, dirigentes de algumas equipes consideram que um eventual rebaixamento do Manchester City para a Championship, segunda divisão inglesa, por apenas uma temporada não seria suficiente. Entre as possibilidades discutidas estão uma punição que tenha efeitos por mais de uma temporada e medidas financeiras capazes de compensar clubes que aleguem ter sofrido prejuízos esportivos ou econômicos.

O processo envolve acusações referentes ao período entre as temporadas 2009/10 e 2017/18. De acordo com a comissão independente, o City teria utilizado contratos comerciais considerados fraudulentos, apresentado informações financeiras incorretas e ultrapassado de forma significativa limites de gastos estabelecidos pela Premier League e pela Uefa. A comissão também considerou comprovadas três das quatro acusações relacionadas à falta de cooperação do clube durante a investigação.

A Premier League informou que a comissão identificou contratos comerciais que não refletiriam os acordos reais entre as partes e que teriam contribuído para inflar artificialmente as receitas do clube e reduzir seus custos. A investigação também apontou problemas na apresentação das contas e no fornecimento de informações aos auditores e aos órgãos reguladores.

O Manchester City rejeita as acusações e anunciou que pretende recorrer da decisão. O clube tem até 2 de outubro para apresentar o recurso. A diretoria afirmou que considera haver erros de fato, de direito e de princípio na decisão e sustenta que possui evidências para defender sua posição.

A definição da punição ocorrerá em uma etapa separada. Entre as sanções possíveis estão multa, perda de pontos, restrição para contratações e até a exclusão da Premier League. A decisão sobre a penalidade, porém, ainda não foi anunciada.

Além da punição esportiva, outro capítulo do caso envolve possíveis ações judiciais movidas por clubes que entendam ter sido prejudicados pelas condutas investigadas. Manchester United, Liverpool, Arsenal e Tottenham já haviam preservado o direito de buscar indenizações, e, segundo a imprensa inglesa, representantes de alguns desses clubes discutem agora a possibilidade de avançar com medidas legais.

O impacto financeiro dessas eventuais ações ainda não está definido. O jornal The Independent, citado pelo ge, estima que processos de clubes contra o Manchester City poderiam envolver mais de 200 milhões de libras em indenizações. O The Telegraph, entretanto, aponta obstáculos jurídicos relacionados aos prazos para apresentação de determinadas ações.

O caso ganhou ainda mais repercussão porque as acusações abrangem um período em que o Manchester City conquistou títulos importantes na Inglaterra. A eventual retirada de troféus também entrou no debate público, embora essa possibilidade não represente uma punição já determinada pela Premier League. O ex-jogador do Liverpool Jamie Carragher, por exemplo, defendeu publicamente que títulos conquistados durante o período investigado sejam retirados do histórico do clube. Essa é uma opinião do ex-atleta, e não uma decisão da competição.

Enquanto o recurso não for analisado e a etapa de definição das sanções não for concluída, o futuro esportivo e financeiro do Manchester City no futebol inglês permanece em aberto. O processo, iniciado após acusações apresentadas em 2023, pode ainda provocar novos desdobramentos jurídicos envolvendo o clube e seus concorrentes.

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