Pressão nos bastidores: Dinho dos Campinhos pode trocar cassação por suspensão de 60 dias
O vereador Dinho dos Campinhos (Republicanos) poderá não perder o mandato no processo que apura uma suposta prática de “rachadinha” em seu gabinete na Câmara Municipal de Vitória da Conquista. Embora o relatório da Comissão de Ética recomende a cassação do parlamentar, uma articulação entre vereadores estaria buscando uma punição mais branda: a suspensão do mandato por 60 dias.
A votação do relatório está prevista para esta sexta-feira (9). A decisão caberá ao plenário da Câmara, que poderá acatar a recomendação pela cassação ou optar por outra penalidade prevista no processo.
A relatora da Comissão de Ética, vereadora Gabriela Garrido (PV), concluiu o parecer recomendando a perda do mandato de Dinho dos Campinhos. O documento passou pelos procedimentos internos da comissão e deverá ser submetido à apreciação dos vereadores.
Nos bastidores, porém, estaria sendo construída uma alternativa à cassação. Segundo informações apuradas pelo Blog do Sena, a proposta em discussão é aplicar uma suspensão de 60 dias. Com isso, o parlamentar ficaria afastado temporariamente das atividades legislativas, mas permaneceria com o mandato após o cumprimento da penalidade.
O processo teve origem em uma denúncia apresentada por um ex-assessor do vereador ao Ministério Público da Bahia e à própria Câmara Municipal. O denunciante afirma que teria sido obrigado a devolver parte dos salários recebidos enquanto trabalhava no gabinete.
Os documentos apresentados no caso incluem extratos bancários, comprovantes de transferências e registros de operações via Pix. Os valores mencionados na denúncia variam entre R$ 45 mil e R$ 60 mil. Também foram apresentados áudios e mensagens atribuídos ao vereador, que fazem parte do material analisado pelas autoridades.
Dinho dos Campinhos nega as acusações. A defesa afirma que o vereador seria vítima de uma tentativa de extorsão praticada pelo ex-assessor e sustenta que ele pretende colaborar com as investigações.
O caso também é acompanhado pelo Ministério Público da Bahia, que instaurou procedimento para apurar as denúncias. A investigação na esfera judicial continua independentemente da decisão que será tomada pela Câmara.
Dinho deixou o cargo de segundo-secretário da Mesa Diretora após a repercussão das denúncias, mas continuou exercendo o mandato parlamentar.
A votação desta sexta-feira será decisiva para definir a punição no âmbito do Legislativo municipal. Caso prevaleça a proposta em discussão nos bastidores, o vereador cumprirá 60 dias de suspensão e não perderá definitivamente o mandato. Se os vereadores seguirem a recomendação da relatoria, entretanto, Dinho poderá ser cassado.
Até que haja uma decisão definitiva, as acusações permanecem sob investigação e não representam uma condenação judicial.







