A vida vale mais do que um momento
Poucas frases resumem tão bem uma realidade que, infelizmente, ainda faz parte do cotidiano de muitos jovens. A sensação de liberdade, a adrenalina, a vontade de experimentar o novo e a falsa impressão de que nada de ruim pode acontecer fazem com que, muitas vezes, a prudência fique em segundo plano.
O problema é que a vida não oferece uma segunda chance para determinadas escolhas.
Quando pensamos que alguns segundos não fazem diferença, basta lembrar que é justamente em questão de segundos que muitos acidentes acontecem. Uma ultrapassagem arriscada. Um sinal ignorado. Um celular na mão. Um excesso de velocidade. Uma mistura entre álcool e direção. Pequenas decisões que podem mudar para sempre a história de uma família.
A música faz um alerta doloroso ao lembrar que "em questão de segundos tudo termina". Quantos sonhos deixam de ser realizados? Quantas profissões nunca serão exercidas? Quantos abraços deixam de acontecer? Quantas histórias terminam antes mesmo de começar?
A juventude é marcada por projetos, amizades, descobertas e planos para o futuro. Há muito para viver, aprender, amar e construir. Não vale a pena colocar tudo isso em risco por alguns instantes de imprudência.
As imagens descritas na canção são fortes: "latas retorcidas... corpos pelo chão... sonhos despedaçados". Infelizmente, elas não pertencem apenas à ficção. Fazem parte da rotina de equipes de resgate, profissionais da saúde, policiais e famílias que recebem uma notícia capaz de mudar suas vidas para sempre.
Mas a maior tragédia nem sempre está apenas nos veículos destruídos.
Ela permanece no silêncio de uma casa onde alguém não volta. Na cadeira vazia à mesa. Na saudade dos amigos. No choro dos pais. Na culpa de quem sobreviveu. Na lembrança de que tudo poderia ter sido evitado.
A canção também faz uma pergunta que merece ser feita a todos nós: "Será que não dá pra ouvir a voz da sua consciência?"
Ouvir essa voz significa escolher reduzir a velocidade, usar o capacete corretamente, colocar o cinto de segurança, respeitar a sinalização, não dirigir sob efeito de álcool ou outras drogas e jamais usar o celular enquanto dirige. Significa entender que coragem não é acelerar; coragem é dizer "não" quando todos incentivam uma atitude irresponsável.
A verdadeira liberdade não está em desafiar os limites. Está em voltar para casa.
A vida é extremamente frágil. Ela pode mudar em um instante. Por isso, cada escolha feita no trânsito deve ser guiada pela responsabilidade e pelo respeito. Não apenas pela própria vida, mas pela vida de quem divide a rua, a avenida ou a estrada conosco.
Não transforme um momento de emoção em uma dor que poderá durar para sempre.
Nenhuma corrida, nenhuma manobra, nenhuma aposta, nenhuma postagem nas redes sociais e nenhum desafio valem mais do que um futuro inteiro pela frente.
A vida é uma só. Cuide dela. Cuide de quem está ao seu lado. Porque o melhor destino é sempre chegar em segurança.
Texto inspirado na música Latas Retorcidas da Banda Rosa de Saron
Júnior Patente
Júnior Patente, profissional de comunicação desde 1984 em Rádio, Jornal, TV, Assessoria de Comunicação e Internet, professor de Geografia. Pai atípico, tem como meta hoje trabalhar pela inclusão.Instagram: @junior_patente
Site: www.portalincluir.com.br



