Lula promete mudar forma de governar e priorizar economia digital, educação e saúde; veja
Reeleito com 51,79% dos votos válidos, presidente anunciou planos para ampliar o Pé-de-Meia, desenvolver inteligência artificial brasileira, regulamentar plataformas digitais e modernizar o SUS
No primeiro discurso após ser reeleito presidente da República, neste domingo (25), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pretende mudar a forma de governar o Brasil e ampliar a participação da população nas decisões públicas. Entre as prioridades anunciadas para o próximo mandato estão investimentos em economia digital, educação, preservação ambiental, saúde e segurança pública.
Com 100% das urnas apuradas, Lula recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O presidente fez o pronunciamento em São Paulo, onde também defendeu mudanças na comunicação do governo com a população.
“Essa eleição me ensinou muitas lições. Quero dizer que vamos mudar o jeito de governar este país. Vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões. Quero dizer que a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo”, declarou. Lula também afirmou que pretende se comunicar mais diretamente com os brasileiros, por meio das plataformas digitais, para apresentar suas posições e as ações do governo.
Economia digital e inteligência artificial
Entre os planos apresentados está a ampliação dos investimentos na economia digital, com incentivo à instalação de centros de processamento de dados, conhecidos como data centers. Lula defendeu o aproveitamento da capacidade brasileira de geração de energia renovável para atrair esses empreendimentos e manter no país parte dos dados produzidos.
O presidente também prometeu desenvolver uma inteligência artificial brasileira, com o objetivo de reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras, especialmente dos Estados Unidos e da China.
“Queremos ensinar mais matemática, mais engenharia porque não quero ficar dependendo de inteligência artificial chinesa e americana. Quero criar uma [inteligência artificial] brasileira”, afirmou. A proposta foi associada à ampliação do ensino de ciências exatas e à formação de profissionais qualificados para atuar no setor tecnológico.
Educação e expansão do Pé-de-Meia
Na educação, Lula prometeu universalizar o ensino em tempo integral até o ensino médio e ampliar o programa Pé-de-Meia, iniciativa federal de incentivo financeiro à permanência e à conclusão dos estudos por estudantes do ensino médio público.
O presidente também anunciou a intenção de criar uma modalidade universitária do programa, voltada a estudantes do ensino superior, com o objetivo de reduzir a evasão provocada por dificuldades financeiras.
A proposta foi mencionada anteriormente por Lula durante a campanha eleitoral. As regras, os critérios de acesso e o orçamento da eventual nova modalidade ainda precisarão ser definidos pelo governo.
Regulamentação das plataformas digitais
Lula também voltou a defender a regulamentação das grandes empresas de tecnologia, conhecidas como big techs. Segundo o presidente, a atuação dessas plataformas precisa ser submetida a regras que permitam responsabilizar práticas ilegais no ambiente digital.
“Vamos ter que regulá-las. Não é possível que a gente não tenha consciência de que um crime no mundo digital tem que ser tratado igual a um crime da vida real”, declarou. O presidente também criticou a influência das plataformas nas eleições e afirmou que pretende discutir mecanismos de regulamentação durante o novo mandato.
Modernização do SUS e tratamento do câncer
Na área da saúde, Lula prometeu ampliar investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), com foco na modernização dos serviços e na melhoria do tratamento contra o câncer na rede pública.
O presidente citou o projeto de um hospital inteligente desenvolvido em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), com financiamento do Banco do Brics, e anunciou a intenção de criar 15 unidades de terapia intensiva (UTIs) inteligentes no país.
A proposta é utilizar tecnologia para aprimorar o acompanhamento dos pacientes e os procedimentos de atendimento hospitalar. Lula, porém, não detalhou no discurso o cronograma de implantação das unidades nem os recursos necessários para executá-las.
Segurança pública e participação federal
Na segurança pública, Lula defendeu uma participação maior do governo federal no enfrentamento à criminalidade. Segundo ele, a Constituição de 1988 concentrou grande parte das responsabilidades operacionais nessa área nos estados, e o modelo precisa ser revisto diante das dificuldades enfrentadas pelas administrações estaduais.
“Agora está provado que os estados não dão conta. Vamos entrar para devolver às mulheres, aos homens e aos trabalhadores a tranquilidade e a paz de que eles precisam”, afirmou. O tema envolve discussões sobre a divisão de responsabilidades entre União, estados e municípios, além de propostas de mudanças constitucionais e de financiamento da segurança pública.
Ao longo do pronunciamento, Lula afirmou que pretende dialogar com diferentes setores da sociedade, incluindo empresários, educadores, cientistas e mulheres, para discutir as prioridades do novo mandato.
As medidas anunciadas abrangem áreas distintas e dependem de etapas posteriores para serem implementadas, como definição de orçamento, elaboração de programas, regulamentação e, em determinados casos, aprovação do Congresso Nacional.
O presidente também afirmou que buscará conduzir um mandato baseado no respeito à Constituição e no diálogo com o Legislativo, mesmo diante das diferenças políticas entre o governo e a composição do Congresso eleito.











