Eleições de meio de mandato nos EUA colocam controle do Congresso em disputa nesta terça-feira (3)
Votação renova todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado; resultado pode limitar ou ampliar o poder de Donald Trump nos próximos dois anos
Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) para as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. A votação renova toda a Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado, além de definir governos estaduais em 36 estados. Mais de 57 milhões de americanos já haviam votado antecipadamente até segunda-feira (2), segundo dados da Universidade da Flórida citados pela Reuters.
Embora o presidente Donald Trump não esteja entre os candidatos, a eleição é considerada um teste político para o governo republicano. O resultado vai definir qual partido terá maioria no Congresso durante os dois últimos anos do mandato presidencial, que termina em janeiro de 2029.
As projeções mais recentes apontam vantagem dos democratas na disputa pela Câmara dos Representantes. Já a corrida pelo Senado permanece indefinida, com disputas acirradas em diferentes estados.
As midterms são eleições realizadas na metade do mandato presidencial de quatro anos nos Estados Unidos. Por isso, recebem o nome de eleições de meio de mandato. A votação não escolhe um novo presidente, mas renova parte do Congresso e define outros cargos estaduais.
A última eleição presidencial ocorreu em 2024, quando Trump foi eleito para um segundo mandato. Os parlamentares escolhidos nas midterms tomarão posse em janeiro de 2027 e permanecerão nos cargos até o fim de seus respectivos mandatos.
Nesta terça-feira, os eleitores escolhem representantes para diferentes instâncias do sistema político americano. Estão em disputa:
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Câmara dos Representantes: todas as 435 cadeiras da Casa, equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil.
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Senado: 35 das 100 vagas da instituição.
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Governos estaduais: eleições para governador em 36 estados.
A Câmara dos Representantes distribui suas cadeiras de acordo com a população de cada estado. Já no Senado, todos os estados têm direito a duas vagas, independentemente do número de habitantes.
Por que o resultado é importante para Trump?
Nas eleições de 2024, o Partido Republicano conquistou maioria nas duas Casas do Congresso, garantindo apoio à agenda do governo. Atualmente, os republicanos mantêm uma vantagem estreita na Câmara e no Senado.
A manutenção desse controle é importante para Trump, pois facilita a aprovação de projetos e medidas de interesse da administração. Uma vitória democrata em uma ou nas duas Casas, por outro lado, pode dificultar a tramitação de propostas do presidente, ampliar a fiscalização sobre o governo e abrir caminho para investigações parlamentares.
Para conquistar a maioria, os democratas precisam obter um saldo positivo de pelo menos três cadeiras na Câmara e quatro no Senado. Na Casa Alta, o cálculo considera que o vice-presidente J.D. Vance, do Partido Republicano, tem o poder de desempatar votações. Por isso, os democratas precisam alcançar 51 assentos para garantir o controle.
As pesquisas e projeções indicam que os democratas são favoritos para conquistar a maioria na Câmara dos Representantes. No Senado, o cenário é mais incerto, com disputas competitivas em estados como Michigan, Maine, Alasca, Kansas, Iowa, Ohio e Texas.
A avaliação do governo também influencia o cenário eleitoral. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira (2) apontou que a aprovação de Trump estava em 32%, próxima da mínima registrada durante seu mandato. Entre as preocupações dos eleitores estão o custo de vida, os preços dos combustíveis e os efeitos das políticas econômicas do governo.
A apuração é realizada individualmente pelos estados, que possuem regras e horários próprios para o encerramento da votação e a contagem dos votos. Por isso, os primeiros resultados podem aparecer ainda na noite desta terça-feira, mas a definição do controle da Câmara e do Senado pode levar alguns dias.
Na eleição de 2022, por exemplo, o controle do Senado só foi definido quatro dias após a votação, enquanto a disputa pela Câmara levou oito dias. A contagem de votos enviados pelo correio e as regras específicas de alguns estados podem prolongar a apuração.









