Manifesto contra as bets ultrapassa 1,5 milhão de assinaturas e pressiona STF
Abaixo-assinado lançado por Eduardo Moreira defende a continuidade da proibição das apostas online no Brasil. Movimento também cobra o fim dos patrocínios de casas de apostas no futebol e atendimento público às pessoas afetadas pelo vício em jogos.
A campanha nacional contra as plataformas de apostas online ultrapassou a marca de 1,5 milhão de assinaturas nesta terça-feira (3). O manifesto, lançado pelo empresário e fundador do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), Eduardo Moreira, pede que o Supremo Tribunal Federal (STF) não autorize a retomada das operações das chamadas apostas no país.
A mobilização ganhou força em meio à disputa judicial envolvendo clubes de futebol e empresas do setor, que recorreram ao Supremo contra a concessão determinada pelo governo federal. O ministro Luiz Fux realiza nesta terça-feira uma audiência pública para discutir o tema, antes de decidir sobre o pedido de suspensão da medida provisória.
O documento apresenta três reivindicações principais: manutenção da proibição das apostas de cota fixa, impedimento de patrocínios de empresas de apostas a clubes esportivos, concretos e influenciadores digitais além da oferta de atendimento público especializado para pessoas com dependência em jogos e famílias prejudicadas pelo endividamento.
A iniciativa foi apresentada na noite de segunda-feira (2), por meio das redes sociais de Eduardo Moreira. Segundo o idealizador, a campanha foi estruturada sem utilizar diretamente a marca do ICL, com o objetivo de construir uma mobilização ampla da sociedade civil.
Futebol também entra na disputa
A audiência pública convocada por Luiz Fux reúne representantes de clubes, empresas de apostas e setores atingidos pelas restrições. Após solicitação do governo federal, também foram incluídos representantes dos ministérios da Fazenda e do Esporte, da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Entre os clubes envolvidos está o Flamengo, que se posiciona contra a proibição das apostas. Em uma manifestação pública, a equipe passou a exibir a frase “Proibir não é protegido” no espaço do uniforme anteriormente ocupado pelo patrocinador principal.
O posicionamento dos clubes evidencia o peso econômico que os contratos de publicidade e patrocínio com empresas de apostas adquiriram no futebol brasileiro. Ao mesmo tempo, a discussão coloca em pauta os possíveis impactos da exposição constante à publicidade de jogos online.
Campanha quer levar assinaturas para Brasília
Eduardo Moreira afirma que a intenção dos organizadores é transformar o abaixo-assinado em uma das maiores mobilizações populares do país. A próxima etapa prevê a entrega das assinaturas em Brasília, acompanhadas de pessoas e famílias que se relacionaram com prejuízos provocados pelas apostas.
A proposta também busca iniciar o Congresso Nacional para discutir medidas relacionadas ao setor.
O avanço da campanha amplia a participação popular em um debate que envolve interesses econômicos, decisões judiciais e políticas de saúde pública. No centro da discussão estão os riscos de individualização, a dependência em jogos e os efeitos das apostas sobre a organização financeira e a vida familiar.
O manifesto permanece aberto a novas adesões por meio da plataforma Bets Nunca Mais .
Com informações do ICL Notícias









