Acidentes de moto já custaram mais de R$ 400 milhões à saúde pública da Bahia em três anos
Uma escalada nos acidentes envolvendo motocicletas tem provocado superlotação em hospitais públicos da Bahia e elevado os gastos da rede estadual de saúde. Dados divulgados pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) apontam que somente em 2025 os atendimentos a vítimas de acidentes de moto custaram cerca de R$ 148,6 milhões aos cofres públicos.
Segundo o levantamento, os custos vêm crescendo ano após ano. Em 2024, o valor registrado foi de R$ 138 milhões. Já em 2023, o montante chegou a R$ 115,8 milhões. Somados, os três anos ultrapassam R$ 400 milhões em despesas hospitalares relacionadas a ocorrências com motocicletas.
A Sesab informou que a região Centro-Leste da Bahia — que inclui municípios como Feira de Santana, Serrinha e Itaberaba — concentra a maior parcela dos gastos, respondendo por cerca de 30,7% do total estadual em 2025, com R$ 45,7 milhões. A região Leste, onde estão Salvador e cidades da Região Metropolitana, aparece em seguida, com R$ 36,9 milhões.
O custo médio por internação gira em torno de R$ 10,6 mil, considerando atendimento de urgência, procedimentos cirúrgicos, permanência hospitalar e reabilitação. O tempo médio de internação é de sete dias, podendo dobrar nos casos mais graves que exigem leitos de UTI.
Os homens representam aproximadamente 81% das vítimas internadas por acidentes com motocicletas, enquanto as mulheres correspondem a 19% dos casos. A diretora de Gestão de Serviços de Saúde da Sesab, Zaine Lima, afirmou que os traumas provocados por acidentes de moto geram forte pressão sobre a rede hospitalar estadual.
O crescimento também aparece no número de internações. Dados do DataSUS apontam aumento de 82% nos registros entre 2020 e 2025. Foram 13.923 internações no ano passado, contra 7.625 em 2020. Apenas em 2026, a média já supera mil vítimas internadas por mês na Bahia.
No Hospital Ortopédico do Estado da Bahia, referência em trauma, cerca de 60% dos atendimentos regulados de urgência estão ligados a acidentes de trânsito, sendo quase 40% envolvendo motociclistas.
Durante a campanha Maio Amarelo, o governo estadual intensificou ações educativas e de conscientização para tentar reduzir os índices de acidentes. A campanha alerta principalmente para o uso do capacete, respeito às leis de trânsito e direção responsável.







