Jequié ocupa a segunda colocação no ranking das cidades mais violentas do Brasil no Atlas da Violência 2026

Município baiano registrou taxa de 79,4 homicídios por 100 mil habitantes, quase quatro vezes a média nacional; Bahia concentra seis das dez cidades do topo do ranking

Foto: Secom Prefeitura de Jequié
  • Ane Xavier
  • Atualizado: 27/05/2026, 11:25h

O município de Jequié, localizado no sudoeste da Bahia, voltou a figurar no topo do ranking das cidades mais violentas do país. Os dados foram divulgados pelo Atlas da Violência 2026, estudo elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) com base nos índices de criminalidade de 2024.

Jequié aparece como a segunda cidade mais violenta do Brasil, registrando uma taxa de 79,4 homicídios por 100 mil habitantes. O número é quase quatro vezes superior à média nacional do período analisado, que foi de 20,1 assassinatos por 100 mil pessoas (totalizando 42.590 homicídios no país). O município mantém um cenário de destaque negativo pelo terceiro ano consecutivo: foi apontado como o mais violento do Brasil no levantamento de 2023 e permaneceu entre os três primeiros nos anos seguintes.

O relatório revela uma forte configuração da violência letal no território baiano. Das dez cidades com mais de 100 mil habitantes que registram os maiores índices de homicídios do Brasil, seis estão localizadas na Bahia. O restante do topo da tabela é composto por municípios do estado do Ceará.

Os dez municípios que lideram o indicador nacional de homicídios por 100 mil habitantes são:

  • 1º Maranguape (CE): 87,2

  • 2º Jequié (BA): 79,4

  • 3º Maracanaú (CE): 74,1

  • 4º Itapipoca (CE): 74,0

  • 5º Caucaia (CE): 72,9

  • 6º Juazeiro (BA): 71,1

  • 7º Feira de Santana (BA): 67,0

  • 8º Porto Seguro (BA): 64,6

  • 9º Simões Filho (BA): 64,0

  • 10º Camaçari (BA): 62,9

O panorama da segurança pública aponta que a capital do estado, Salvador, ocupa a 20ª posição nacional no ranking geral, com uma taxa de 52,7 homicídios por 100 mil habitantes. O índice confere à cidade o posto de capital mais violenta do Brasil, superando outros centros urbanos como Maceió (45,9), Macapá (45,6), Recife (45,5) e Fortaleza (42,2).

O desempenho conjunto da capital e do interior colocou a Bahia como o segundo estado mais violento do Brasil, registrando uma taxa geral de 40,9 mortes violentas por 100 mil habitantes, atrás apenas do Amapá, que lidera o indicador nacional com 45,7.

O estudo também mapeou os crimes contra as mulheres. A taxa de homicídios de mulheres na Bahia ficou em 5,4 para cada grupo de 100 mil habitantes — acima da média brasileira de 3,4 —, embora o estado tenha registrado uma redução de 10% nesse indicador específico em comparação ao ano anterior.

Procurado para comentar os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Comando de Policiamento Regional do Médio Rio de Contas (CPRMRC), responsável pela região de Jequié, prefereu não se manifestar formalmente.

Por outro lado, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) emitiu uma nota oficial destacando que os crimes graves contra a vida apresentaram reduções consecutivas nos últimos três anos (2023, 2024 e 2025). Segundo a pasta, no ano-base da pesquisa (2024), a polícia contabilizou uma queda de 8,7% nos registros de mortes violentas (que englobam homicídio, latrocínio e lesão dolosa seguida de morte) em território baiano.

A SSP-BA enfatizou ainda as ações do Governo do Estado voltadas para conter os índices, citando o investimento na modernização de equipamentos, softwares de investigação e a contratação de 9.500 novos policiais, peritos e bombeiros nos últimos três anos, garantindo que as operações seguirão intensificadas com foco em inteligência policial.

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