Transporte aéreo de Vitória da Conquista vive crise, perde passageiros e aguarda respostas de governos e companhias

  • Júnior Patente
  • Atualizado: 01/06/2026, 09:08h

A situação do transporte aéreo em Vitória da Conquista voltou ao centro do debate regional e expõe um problema que há anos afeta moradores, empresários e passageiros de todo o Sudoeste baiano: a falta de concorrência, a redução da oferta de voos e as tarifas consideradas abusivas para quem precisa viajar.

A discussão ganhou novo capítulo após o empresário Zé Maria Caires, revelar que está articulando, junto à Secretaria de Turismo da Bahia, a retomada da ligação aérea direta entre Vitória da Conquista e Salvador. Segundo ele, conversas foram iniciadas com uma companhia aérea que já operou a rota e que poderia voltar a oferecer o serviço.

A movimentação ocorre em um momento em que cresce a insatisfação da população com o cenário atual. Hoje, a ligação direta entre Conquista e Salvador depende praticamente de uma única empresa, a Azul Linhas Aéreas, que passou a operar em condições de quase exclusividade no trecho.

A consequência é sentida diretamente no bolso dos passageiros. Não são raros os casos em que uma passagem entre Vitória da Conquista e Salvador custa mais caro que voos nacionais de longa distância e, em algumas situações, supera até mesmo tarifas internacionais. Para empresários, profissionais da saúde, estudantes e servidores públicos, viajar para a capital tornou-se um desafio financeiro.

O problema vai além do preço. A falta de concorrência reduziu as opções de horários, diminuiu a oferta de assentos e ampliou a dependência da região de uma única operadora. Enquanto isso, outras grandes empresas do setor, como Gol e Latam, seguem sem oferecer voos diretos regulares entre as duas cidades.

Zé Maria Caires questiona justamente essa ausência. Em entrevista ao Blog do Anderson, ele destacou que a Gol mantém uma estrutura operacional em Salvador capaz de absorver passageiros de toda a região Nordeste e lembrou que a companhia já possui aeronaves em operação na Bahia.

"A Gol tem um hub em Salvador. São mais de 56 voos diários para diversos destinos do país. Não há justificativa aparente para que não exista uma ligação direta entre Vitória da Conquista e a capital", argumentou.

Atualmente, quem opta por viajar pela Gol enfrenta uma situação considerada ilógica por muitos passageiros. Em vez de seguir para Salvador, a viagem exige conexão em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, mais de mil quilômetros na direção oposta ao destino final, aumentando tempo de deslocamento e custos.

Os reflexos da crise já aparecem nos números do Aeroporto Glauber Rocha. Dados apresentados por lideranças regionais apontam que o terminal passou de aproximadamente 450 mil embarques e desembarques em 2023 para cerca de 400 mil em 2025. A redução indica que muitos passageiros deixaram de utilizar o transporte aéreo, migrando para viagens de carro ou ônibus.

A situação preocupa porque Vitória da Conquista é reconhecida como polo regional de comércio, educação, saúde e serviços para mais de 80 municípios do interior baiano e do Norte de Minas Gerais. O enfraquecimento da malha aérea afeta diretamente a competitividade econômica da região, dificulta investimentos e reduz a integração com a capital do estado.

Outro ponto que tem gerado críticas é a aparente falta de protagonismo do Governo da Bahia na busca por soluções. Setores empresariais e lideranças regionais cobram uma atuação mais firme junto às companhias aéreas para ampliar a concorrência e garantir condições adequadas de conectividade para o interior.

A cobrança ganha ainda mais força diante dos incentivos fiscais concedidos ao setor. Para muitos representantes da sociedade civil, benefícios tributários devem estar acompanhados de contrapartidas que garantam oferta adequada de voos, preços razoáveis e atendimento às necessidades da população.

A substituição de aeronaves maiores por equipamentos com capacidade reduzida também é vista com preocupação. Em vez de ampliar a oferta de assentos para atender uma das regiões mais importantes do interior baiano, a tendência observada é de encolhimento da operação.

Diante desse cenário, a principal pergunta permanece sem resposta: até quando Vitória da Conquista e todo o Sudoeste da Bahia continuarão convivendo com um sistema aéreo limitado, caro e insuficiente para sua importância econômica?

A retomada de novas rotas e a entrada de outras companhias no mercado podem representar um primeiro passo. Mas a população espera mais do que promessas e estudos. Espera ações concretas do Governo do Estado, da Agência Nacional de Aviação Civil e das empresas do setor para que o Aeroporto Glauber Rocha volte a cumprir plenamente seu papel de conectar a região ao restante do país.

Comentários


Instagram

Facebook