Aumento de relatos de marimbondos, vespas e abelhas em áreas urbanas preocupa moradores de Vitória da Conquista

Especialistas explicam que fenômeno está ligado às mudanças de estação, busca por alimento e alterações ambientais.

  • Júnior Patente
  • Atualizado: 08/06/2026, 05:59h

Moradores de diferentes bairros de Vitória da Conquista têm relatado, nas últimas semanas, o aparecimento de grupos de marimbondos, vespas e abelhas em residências, condomínios e outros espaços urbanos da cidade. Os insetos têm sido vistos agrupados em paredes, telhados, árvores e cantos de imóveis, despertando preocupação entre a população.

Embora não exista, até o momento, registro oficial de uma infestação generalizada, o número crescente de relatos compartilhados em redes sociais e grupos de moradores chama a atenção e levanta questionamentos sobre as causas do fenômeno.

Segundo a bióloga e especialista em biotecnologia de abelhas, professora Generosa Souza, a presença mais frequente desses insetos em áreas urbanas é um comportamento comum em períodos de transição entre as estações, especialmente nos meses que antecedem o inverno e a primavera.

“Com a mudança das estações, há redução de recursos naturais em áreas de mata. Ao mesmo tempo, as cidades oferecem frutas, resíduos orgânicos e locais protegidos contra o frio e o vento, tornando-se ambientes atrativos para esses animais”, explica a pesquisadora.

Além da busca por alimento e abrigo, a especialista destaca que a fragmentação ambiental tem contribuído para a aproximação desses insetos das áreas urbanas. A diminuição de áreas verdes e a falta de corredores ecológicos dificultam o deslocamento natural das espécies entre fragmentos de vegetação, fazendo com que as cidades se tornem rotas de passagem e até locais temporários de permanência.

A mestre em Agronomia Raquel Maluf também aponta uma possível explicação para o aumento dos registros. Segundo ela, o fenômeno pode estar relacionado ao enxameamento de machos de algumas espécies de vespas.

“Nessas épocas mais frias, com menor disponibilidade de alimento, as colônias de vespas costumam declinar e produzir muitos machos, que não são fundadores de novas colônias ou vespeiros”, afirma.

As condições climáticas típicas de Vitória da Conquista também favorecem esse comportamento. Nesta época do ano, a cidade entra em um período marcado pela redução das chuvas e pela queda das temperaturas, principalmente durante as noites e madrugadas, características da transição para o inverno.

Cuidados para evitar acidentes

Especialistas alertam que a população não deve tentar remover ninhos, colmeias ou agrupamentos de insetos por conta própria. O uso de fogo, fumaça, inseticidas ou qualquer tentativa de espantar os animais pode provocar reações defensivas e aumentar significativamente o risco de ataques.

A orientação é manter distância segura e evitar movimentos bruscos próximos aos insetos.

No caso de enxames de abelhas em deslocamento, os especialistas explicam que muitas vezes os animais utilizam árvores, muros ou estruturas apenas como ponto temporário de descanso antes de seguir viagem. Nessas situações, a recomendação é aguardar e não interferir.

Quando houver risco para moradores, especialmente em locais com grande circulação de pessoas, escolas, creches, idosos ou crianças, a orientação é acionar o Corpo de Bombeiros ou profissionais capacitados para realizar a avaliação e, se necessário, a remoção adequada.

Importância para o meio ambiente

Apesar do receio que despertam, abelhas, vespas e marimbondos desempenham papel fundamental para o equilíbrio ambiental. Além da polinização de diversas espécies vegetais, muitos desses insetos atuam no controle natural de pragas, contribuindo para a manutenção dos ecossistemas.

Para os especialistas, a convivência segura depende principalmente da informação, da prevenção e do manejo correto das situações, evitando ações que coloquem em risco tanto as pessoas quanto os próprios animais.

O aumento dos registros em Vitória da Conquista serve como alerta para a necessidade de preservar áreas verdes e compreender melhor a relação entre as mudanças ambientais e o comportamento da fauna que compartilha o espaço urbano com a população.

Com informações do Blog do Caique Santos

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