Copa do Mundo começa com goleadas, zebras e alerta para favoritos
Os três primeiros dias da Copa do Mundo de 2026 mostraram que o maior torneio do planeta chegou disposto a entregar emoção desde o apito inicial. Em apenas uma rodada parcial, o Mundial já registrou goleadas históricas, atuações surpreendentes, favoritos dominando adversários e seleções tradicionais ligando o sinal de alerta. Mais do que isso, o início da competição evidenciou o crescimento de forças emergentes, especialmente do futebol asiático, representado por Coreia do Sul e Japão.
A principal imagem deste começo de Copa foi a força demonstrada por Alemanha e Suécia. Os alemães não tomaram conhecimento de Curaçao e aplicaram uma impiedosa goleada por 7 a 1, resultado que lembrou os melhores momentos da seleção tetracampeã mundial. Com intensidade, velocidade e enorme poder de finalização, a equipe mostrou que pretende voltar ao grupo das principais candidatas ao título após anos de instabilidade.
A Suécia também chamou atenção ao atropelar a Tunísia por 5 a 1. Os suecos apresentaram um futebol organizado, agressivo e eficiente, transformando uma partida que prometia equilíbrio em uma das maiores goleadas desta primeira fase. O resultado coloca os escandinavos entre as seleções que mais valorizaram suas ações logo na estreia.
Mas talvez a maior surpresa positiva destes primeiros dias tenha vindo da Ásia. A Coreia do Sul estreou vencendo a República Tcheca por 2 a 1 e confirmou a evolução que vem apresentando nas últimas décadas. Com velocidade, disciplina tática e grande intensidade física, os sul-coreanos mostraram que podem sonhar com uma campanha além das expectativas. O resultado deixou a equipe em posição privilegiada no Grupo A e reforçou a imagem de uma seleção cada vez mais competitiva no cenário mundial.
O Japão também impressionou. Diante da tradicional Holanda, os japoneses buscaram um empate por 2 a 2 em uma partida de alto nível técnico. Mais do que o resultado, chamou atenção a personalidade da equipe asiática, que enfrentou um dos favoritos do grupo sem qualquer receio. Com posse de bola qualificada, movimentação constante e organização coletiva, os japoneses demonstraram novamente por que são considerados uma das seleções mais consistentes fora do eixo tradicional das potências europeias e sul-americanas.
Entre as demais boas surpresas da competição aparecem ainda os Estados Unidos, que derrotaram o Paraguai por 4 a 1 diante de sua torcida, e a Austrália, que superou a Turquia por 2 a 0, reforçando a impressão de que esta Copa poderá ser marcada pelo equilíbrio e pela redução da distância entre as grandes seleções e os países emergentes.
Se alguns comemoram, outros já convivem com a pressão. A principal decepção deste início de Mundial é a Seleção Brasileira. Cercado de expectativa pela chegada de Carlo Ancelotti e pelo talento de uma geração liderada por Vinícius Júnior, o Brasil ficou apenas no empate por 1 a 1 diante de Marrocos.
Embora os marroquinos tenham credenciais para dificultar a vida de qualquer adversário, a atuação brasileira ficou abaixo do esperado. A equipe teve dificuldades para criar jogadas, encontrou problemas na organização ofensiva e não conseguiu impor sua superioridade técnica. O resultado permitiu que a Escócia assumisse momentaneamente a liderança do Grupo C ao derrotar o Haiti por 1 a 0.
Outro aspecto que chama atenção neste início de Mundial é o elevado número de gols. Alemanha e Suécia protagonizaram as maiores goleadas até aqui, enquanto Estados Unidos, Japão e Holanda participaram de partidas movimentadas, reforçando a tendência de uma Copa aberta e ofensiva.
A expectativa agora se volta para a sequência da primeira rodada. Seleções como França, Argentina, Inglaterra e Portugal ainda farão suas estreias, aumentando a ansiedade dos torcedores. Ao mesmo tempo, os próximos compromissos servirão para medir se Alemanha e Suécia realmente possuem força para se consolidar entre as candidatas ao título e se Coreia do Sul e Japão conseguirão transformar as boas atuações iniciais em campanhas históricas.
Para o Brasil, a missão é clara: responder rapidamente dentro de campo. Em uma Copa do Mundo, uma estreia frustrante não define o destino de ninguém, mas aumenta a pressão. Se os primeiros dias mostraram alguma coisa, foi que o Mundial de 2026 começou sem espaço para favoritismos absolutos. E, neste cenário de equilíbrio crescente, cada ponto conquistado pode fazer a diferença entre a classificação e uma eliminação precoce.








