EUA sancionam dois brasileiros e três empresas por suposta ligação com o PCC
Governo norte-americano afirma que grupo atuava em esquema internacional de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa; medida também atinge uma empresa sediada em Portugal
O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira (1º), sanções econômicas contra dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma empresa portuguesa por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As medidas foram oficializadas pelo Departamento do Tesouro dos EUA.
Os brasileiros sancionados são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. Também foram incluídas na lista as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda., Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda., Wave Construções Inteligentes Ltda. e a portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda.
Segundo o governo norte-americano, esta é a primeira rodada de sanções aplicada após a classificação do PCC e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais, anunciada em junho.
Em comunicado, o Departamento do Tesouro afirmou que o PCC é a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental e representa uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos. O órgão também acusa a facção de utilizar o sistema financeiro norte-americano para lavar recursos obtidos com atividades ilícitas.
De acordo com as autoridades dos EUA, Victor Shimada e Stella Oliveira integrariam uma rede internacional de lavagem de dinheiro ligada ao PCC, investigada no estado da Flórida. Ainda segundo o comunicado, outros seis suspeitos de participação nesse esquema foram presos em janeiro deste ano.
Os Estados Unidos afirmam que Victor Shimada atuava como elo entre integrantes do PCC na Flórida e traficantes internacionais, sendo responsável pela lavagem de mais de US$ 30 milhões — cerca de R$ 156 milhões — por meio de criptomoedas, além de outros crimes financeiros.
O comunicado também cita que a empresa Victory Trading teria sido utilizada para lavar dinheiro desviado de um clube de futebol brasileiro, sem mencionar o nome da equipe. Shimada já havia sido denunciado pelo Ministério Público de São Paulo, em 2025, por lavagem de dinheiro nas investigações relacionadas ao caso da antiga patrocinadora do Corinthians, a VaideBet.
Já Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira é apontada como parente de Shimada e teria atuado como secretária e intermediária na movimentação de grandes quantias em dinheiro, prestando apoio logístico às operações investigadas.
O subsecretário norte-americano para Terrorismo e Inteligência Financeira, Gene Lange, afirmou que as sanções fazem parte da estratégia do governo dos EUA para combater a expansão das atividades financeiras ilícitas do PCC em território norte-americano.
As sanções econômicas determinam o bloqueio de bens e ativos que os alvos eventualmente possuam sob jurisdição dos Estados Unidos e proíbem cidadãos e empresas norte-americanas de realizar transações com os sancionados. Até o momento, não houve manifestação pública dos brasileiros ou das empresas citadas sobre as acusações.









