Frio exige mais cuidado com o coração: hábitos do inverno podem aumentar riscos de infarto e AVCv

  • Júnior Patente
  • Atualizado: 13/08/2026, 09:53h

O inverno não muda apenas a temperatura. Para pessoas com doenças cardiovasculares ou fatores de risco, os dias frios podem representar uma exigência maior para o coração e para a circulação sanguínea. A combinação entre baixas temperaturas, menor ingestão de água, mudanças na alimentação, redução da atividade física e aumento do consumo de álcool e tabaco merece atenção.

Em entrevista ao programa Fator de Risco, da Rádio Câmara de Brasília, o cardiologista Thiago Germano explicou que o frio provoca alterações naturais no organismo. Com a queda da temperatura, ocorre a vasoconstrição, processo em que os vasos sanguíneos diminuem de calibre para ajudar o corpo a preservar calor. Como consequência, podem aumentar a pressão arterial e a frequência cardíaca, elevando a demanda sobre o sistema cardiovascular.

O impacto tende a ser maior entre pessoas que já apresentam fatores de risco, como hipertensão, diabetes ou doenças cardíacas. Segundo o especialista, o frio pode funcionar como um fator de descompensação em organismos que já enfrentam alguma condição cardiovascular.

Outro cuidado importante é a hidratação. Durante o inverno, muitas pessoas sentem menos sede e acabam reduzindo o consumo de água. De acordo com o cardiologista, essa menor ingestão pode aumentar a viscosidade do sangue e favorecer a formação de eventos trombóticos, entre eles infarto e acidente vascular cerebral (AVC). O cuidado é especialmente importante entre os idosos.

A alimentação também pode mudar nos períodos frios. É comum aumentar o consumo de comidas mais calóricas e, em algumas situações, de bebidas alcoólicas. O médico alerta que o álcool pode elevar a pressão arterial e favorecer alterações do ritmo cardíaco, principalmente quando consumido em grandes quantidades.

O tabagismo é outro fator de preocupação. Segundo Thiago Germano, o cigarro aumenta significativamente o risco cardiovascular e provoca danos aos vasos sanguíneos. A nicotina e outras substâncias presentes na fumaça contribuem para processos inflamatórios e para a formação de placas de gordura nas artérias, que podem levar à obstrução dos vasos e, consequentemente, a um infarto ou AVC. O risco também existe para quem está exposto à fumaça do cigarro.

O cardiologista também chama atenção para o aumento da exposição de jovens aos produtos derivados do tabaco, incluindo cigarros eletrônicos e dispositivos conhecidos como vapes.

Pessoas com diabetes precisam de atenção especial. A doença não afeta apenas os níveis de glicose no sangue: quando não é adequadamente controlada, pode provocar danos aos vasos sanguíneos e aumentar o risco de complicações cardiovasculares. Infarto, AVC, problemas renais e alterações na circulação dos membros estão entre as consequências associadas à doença.

O frio também pode favorecer o sedentarismo. Com temperaturas mais baixas, muita gente reduz ou abandona temporariamente a prática de exercícios. Para o cardiologista, manter a atividade física é importante, mas é preciso evitar a exposição a temperaturas extremas. Em dias muito frios, uma alternativa é escolher horários mais quentes ou ambientes fechados para realizar os exercícios.

As doenças respiratórias que se tornam mais frequentes no período frio também merecem atenção. Segundo Thiago Germano, infecções como gripe e pneumonia podem sobrecarregar o sistema cardiovascular, principalmente em pessoas que já apresentam doenças de base. Por isso, ele reforça a importância da vacinação indicada para cada faixa etária e perfil de risco.

Manter os tratamentos prescritos também faz parte da prevenção. Pessoas hipertensas, diabéticas ou com doenças cardíacas devem manter o acompanhamento médico e o uso correto das medicações. Em alguns casos, pode ser necessária uma revisão do tratamento durante o inverno, já que as baixas temperaturas podem interferir na pressão arterial. Qualquer alteração de dose, porém, deve ser feita sob orientação profissional.

Cuidar do coração no inverno, portanto, não significa apenas se agasalhar. É preciso manter a hidratação, evitar o excesso de álcool, não fumar, preservar a rotina de atividade física dentro de condições seguras, manter as vacinas em dia e, principalmente, controlar doenças como hipertensão e diabetes.

Para quem já possui fatores de risco cardiovascular, atenção redobrada pode fazer diferença. O frio é uma condição ambiental inevitável, mas muitos dos comportamentos que aumentam a sobrecarga sobre o organismo podem ser evitados.

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