Mais da metade dos clubes das Séries A e B tem dívidas registradas em órgão regulador

  • Júnior Patente
  • Atualizado: 25/08/2026, 08:46h

Mais da metade dos 40 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro apresentou algum tipo de dívida no segundo ciclo de prestação de contas à Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF). Os débitos registrados abrangem diferentes áreas, como obrigações com órgãos públicos, pagamentos a atletas e integrantes de comissões técnicas, além de valores devidos a outros clubes.

Criada em 2026, a ANRESF passou a acompanhar de forma periódica a situação financeira das equipes do futebol brasileiro. O modelo de fiscalização estabelece três ciclos de análise durante a temporada, com o objetivo de identificar pendências e acompanhar a regularização dos débitos.

O primeiro levantamento, que inicialmente deveria ter sido entregue no fim de março, teve o prazo prorrogado duas vezes e acabou concluído em 11 de maio. O segundo ciclo considerou as dívidas existentes até 30 de junho e foi encerrado no fim de julho.

A terceira prestação de contas terá como referência os débitos registrados até 31 de outubro. Os clubes deverão apresentar as informações até o fim de novembro.

Clubes têm prazo para regularizar dívidas antigas

As regras da ANRESF estabelecem um período de adaptação para as dívidas contraídas antes de 2026. Nesse caso, os clubes terão até 30 de novembro para regularizar as pendências. Durante esse período, a principal punição prevista é a advertência.

Para débitos contraídos a partir de 1º de janeiro de 2026, porém, o regulamento estabelece medidas mais severas. A escala de punições pode começar com uma advertência pública e avançar para multa, retenção de receitas, transfer ban, perda de pontos, rebaixamento e até cassação da licença para disputar competições.

O transfer ban impede o clube de registrar novos jogadores enquanto a pendência não for solucionada.

Um dos casos já submetidos às novas regras envolve o São Paulo. O clube foi notificado por causa de uma pendência relacionada ao pagamento de uma transferência envolvendo o meio-campista Djhordney. A equipe foi alertada sobre a possibilidade de sofrer transfer ban caso a situação não seja regularizada.

A existência de uma dívida, no entanto, não significa aplicação automática das punições mais graves. A regulamentação leva em consideração aspectos como a origem da obrigação, a data em que o débito foi contraído e o cumprimento dos prazos determinados para a regularização.

Fiscalização passa a ser periódica

Com a criação da ANRESF, o acompanhamento financeiro dos clubes deixa de ficar concentrado apenas nas demonstrações apresentadas anualmente. A fiscalização passa a ocorrer em diferentes momentos da temporada, permitindo identificar novas pendências e acompanhar a evolução dos processos de regularização.

O objetivo é evitar que débitos se acumulem sem acompanhamento e que problemas financeiros tenham impacto direto na capacidade dos clubes de cumprir suas obrigações esportivas.

O próximo ciclo de fiscalização terá como data de referência 31 de outubro. A partir da documentação apresentada pelos clubes até o fim de novembro, será possível identificar quais pendências foram solucionadas e quais continuam em aberto e poderão resultar nas medidas previstas pelo regulamento.

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