PGR defende fim do sigilo sobre pagamentos de Vorcaro antes de julgamento no STF

Manifestação ocorre às vésperas de sessão que deve decidir se será aberta investigação contra Alexandre de Moraes; processo sobre rede de pagamentos do ex-banqueiro ainda permanece sob sigilo

PGR defende fim do sigilo sobre pagamentos de Vorcaro antes de julgamento no STF
Foto: José Cruz/Agência Brasil
  • Ane Xavier
  • Atualizado: 14/09/2026, 10:55h

A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu a retirada do sigilo de um processo que trata da rede de pagamentos de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do antigo Banco Master. A manifestação foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) antes do julgamento previsto para esta terça-feira (15), que deverá analisar a possibilidade de abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

O parecer foi solicitado pelo presidente do STF, Edson Fachin, após o próprio Moraes defender que as informações sobre os pagamentos de Vorcaro fossem tornadas públicas.Na manifestação, assinada pelo vice-procurador-geral da República, Hidenburgo Chateaubriand Filho, a PGR afirma que a retirada do sigilo permitiria compreender a totalidade dos fatores relacionados ao tema que será analisado pelo plenário.

O órgão revelou ainda que não tinha conhecimento da existência da petição. Segundo o parecer, o processo não aparecia disponível para consulta da PGR no sistema do Supremo.

Até o momento, o STF já retirou o sigilo de 53 linhas de investigação derivadas da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias atribuídas a Vorcaro. O processo específico relacionado à rede de pagamentos, entretanto, permanece sob segredo.

A discussão ocorre em meio à crise aberta no Supremo após a divulgação de um relatório da Polícia Federal com 52 mensagens que investigadores afirmam terem sido enviadas por Vorcaro a Alexandre de Moraes. O material foi recuperado do celular apreendido do ex-banqueiro e reúne mensagens enviadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso preventivamente.

Segundo o relatório da PF, em uma das conversas Vorcaro aparenta compartilhar com Moraes informações sobre um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outra mensagem, o ex-banqueiro teria buscado informações sobre uma operação da Polícia Federal para prendê-lo. As respostas do interlocutor não foram recuperadas pelos investigadores. O relatório tornou-se público no início de setembro após o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, retirar o sigilo do material.

Apesar de agora defender a publicidade do processo sobre os pagamentos de Vorcaro, a PGR pediu anteriormente a anulação do relatório da Polícia Federal envolvendo Moraes. O órgão argumenta que houve irregularidades na produção do documento porque o avanço de uma investigação envolvendo um ministro do STF não poderia ter sido autorizado pelo relator sem comunicação prévia ao plenário.

Moraes, por sua vez, reagiu divulgando um documento atribuído à inteligência da PF que levantava a possibilidade de direcionamento das investigações conduzidas por Mendonça para atingir adversários políticos. O próprio material, no entanto, é apresentado como conjectural e “sem valor probatório”, além de não conter assinatura ou timbre da Polícia Federal. Moraes pediu a Fachin a abertura de investigação contra André Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. A análise desse pedido está prevista para 23 de setembro.

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