STF nega pedido da PF para buscas contra ACM Neto na Operação Overclean

Polícia Federal aponta candidato ao Governo da Bahia como principal investigado; PGR havia se manifestado favoravelmente à medida, e ACM Neto nega envolvimento nas suspeitas

Foto: Reprodução
  • Ane Xavier
  • Atualizado: 17/09/2026, 03:13h

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou um pedido da Polícia Federal (PF) para realização de busca e apreensão contra ACM Neto (União Brasil), candidato ao Governo da Bahia, no âmbito da décima fase da Operação Overclean. A decisão contrariou parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que havia concordado com a realização da diligência.

Deflagrada nesta quinta-feira (17), a nova etapa da operação investiga suspeitas de irregularidades em contratações realizadas pela Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte, entre 2024 e 2025. Segundo a PF, são apurados indícios de direcionamento de procedimentos para fornecimento de serviços e materiais didáticos. Ao menos três contratos investigados ultrapassam, juntos, R$ 80 milhões.

De acordo com informações divulgadas pela CNN Brasil, a PF aponta ACM Neto como o principal investigado nessa frente da apuração. Os investigadores sustentam que o político teria participado da indicação de Bruno Barral, ex-secretário municipal de Educação de Salvador, para assumir a mesma pasta em Belo Horizonte. A suspeita investigada é de que a indicação teria relação com contratos posteriormente firmados com empresas ligadas aos empresários investigados.

Barral integrou a administração de Salvador durante a gestão de ACM Neto. Em Belo Horizonte, três contratos que estão sob investigação foram firmados durante sua passagem pela Secretaria de Educação e somam mais de R$ 80 milhões.

A apuração envolve ainda os empresários Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, e Alex Parente. A Operação Overclean investiga possíveis crimes contra a administração pública, fraudes em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

O pedido para realizar buscas contra ACM Neto havia sido apresentado pela Polícia Federal no início do ano, antes do período eleitoral. A PGR também se manifestou favoravelmente à adoção da medida. Nunes Marques, relator do caso no Supremo, entretanto, não autorizou a diligência contra o candidato.

A decisão que rejeitou a busca permanece sob sigilo. Por isso, seus fundamentos completos não estão publicamente disponíveis. ACM Neto não foi alvo dos mandados cumpridos nesta quinta-feira. A décima fase da Overclean cumpriu 24 mandados de busca e apreensão em seis estados: Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo. Entre os alvos estão Bruno Barral, Marcos Moura e outros investigados.

Após a divulgação das informações, ACM Neto negou qualquer relação com irregularidades e afirmou que a repercussão do caso, a pouco mais de duas semanas do primeiro turno das eleições, seria uma tentativa de interferir na disputa pelo Governo da Bahia. Essa é uma alegação do candidato, e não uma conclusão da investigação ou da decisão do STF.

Em nota, ele afirmou que, desde o início da Operação Overclean, em dezembro de 2024, não teria sido apontada conduta ilícita praticada por ele. O candidato também argumentou que a negativa do pedido de busca pelo STF demonstraria, em sua avaliação, a inconsistência das suspeitas levantadas contra seu nome. A negativa da busca não encerra, por si só, a investigação. A décima fase da Operação Overclean continua apurando as suspeitas relacionadas aos contratos públicos e a eventual participação dos investigados.

Comentários


Instagram

Facebook